Crime organizado diversifica receitas e amplia atuação além do tráfico, diz OEA

Secretário aponta redes mais flexíveis, com presença em múltiplos mercados ilícitos

Marina Verenicz

Secretário de Segurança Multidimensional da OEA (Organização dos Estados Americanos), Ivan Marques, durante evento - Juan Manuel Herrera/Divulgação OEA
Secretário de Segurança Multidimensional da OEA (Organização dos Estados Americanos), Ivan Marques, durante evento - Juan Manuel Herrera/Divulgação OEA

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O secretário de Segurança Multidimensional da Organização dos Estados Americanos, Ivan Marques, apontou que o modelo de atuação do crime organizado na América Latina passa por uma transformação estrutural, com redução da dependência do narcotráfico e expansão para uma ampla gama de atividades ilegais.

Ele descreve o momento atual vivido pode ser traduzido como um cenário de “convergência criminal” entre diferentes fontes de receita. A apuração é da Folha de S. Paulo.

Segundo ele, a cocaína segue relevante, mas deixou de ser o único eixo econômico dessas organizações. O lucro passou a ser distribuído entre atividades como tráfico de armas, exploração sexual, comércio ilegal de fauna, extração clandestina de recursos naturais, extorsão e crimes financeiros, além da integração entre negócios legais e ilegais.

Essa mudança alterou também a estrutura dos grupos. Em vez de organizações centralizadas, como os antigos cartéis liderados por figuras como Pablo Escobar, o crime passou a operar em redes descentralizadas, com alianças entre grupos locais e internacionais.

Redes ampliam alcance

A nova dinâmica permite maior capilaridade e redução de riscos operacionais, segundo o secretário, em reportagem apurada pela Folha. Grupos transnacionais articulam cadeias fragmentadas, nas quais produção, logística e distribuição ficam sob responsabilidade de diferentes atores.

No Brasil, facções como o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho já expandiram sua atuação para fora do país e mantêm operações em ao menos 20 nações, segundo reportagens citadas pela OEA. O faturamento dessas organizações também passou a depender de um portfólio mais amplo de ilícitos.

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Além da diversificação econômica, há uma migração relevante de crimes tradicionais para o ambiente digital. A OEA identifica crescimento de fraudes, extorsões e ataques cibernéticos, com o Brasil entre os principais alvos globais.

Outras ameaças incluem o desvio de explosivos de operações de mineração e o aumento da circulação de armas em regiões como o Caribe, onde a violência tem se intensificado. A organização também monitora riscos relacionados ao uso ilegal de materiais biológicos e radioativos.