BNDES

Coutinho: BNDES não é um banco dos grandes, embora apoie também grandes empresas

Coutinho disse ainda que o banco de fomento realizou "deliberadamente" mudanças nas políticas de concessão de crédito neste ano devido ao cenário de enfraquecimento da economia

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O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Social e Econômico (BNDES), Luciano Coutinho, disse que o BNDES não é um banco “dos grandes”, embora apoie também as grandes empresas. “Nós temos, sim, uma política clara de priorização de pequenas empresas que muitas vezes é obscurecida por uma distorção repetida, em parte por críticos que não tem outro objetivo a não ser motivação ideológica ou por simples desinformação”, disse, durante inauguração da Bralyx, fábrica de equipamentos para a indústria alimentícia, em São Paulo. O evento conta também com a presença do presidente da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Carlos Pastoriza.

Coutinho disse que o banco de fomento realizou “deliberadamente” mudanças nas políticas de concessão de crédito neste ano devido ao cenário de enfraquecimento da economia. “Sabíamos que não poderíamos exercer pressão sobre dívida pública e pedir desembolso do Tesouro”, disse. Coutinho ressaltou, no entanto, que a decisão foi por não “deixar de lado” as pequenas empresas, segundo ele, uma das prioridades do banco de fomento. “O cobertor é curto, mas não pode encurtar na pequena empresa”, afirmou.

Os desembolsos do Cartão BNDES, de acordo com Coutinho, somaram R$ 11,4 bilhões e, no primeiro semestre de 2015, houve crescimento de 14%, apesar da crise econômica. “Nada poderíamos fazer no BNDES sem empresários criativos, sem garra e sem espírito de competição, que assumam riscos e tomem o crédito que disponibilizamos”, ressaltou. O BNDES desembolsou em 2014, diretamente, R$ 3,2 bilhões e espera “ultrapassar o montante neste ano e atingir a marca de R$ 4 bilhões”.

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De acordo com Coutinho, a Bralyx é um exemplo de uma pequena empresa inovadora que soube identificar um novo mercado com produto de automação em pequena escala, que são as máquinas adaptadas às pequenas lojas, intensivas em trabalho. Segundo ele, a capacidade de gerar ganho de eficiência é importante especialmente neste momento de subida de custos e no atual momento do mercado de trabalho. “Esperamos que seja transitório este surto atual de subida do desemprego”, comentou.

Abimaq
O presidente da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Carlos Pastoriza, afirmou que o BNDES é uma “contraforça fundamental” para manter a indústria e a economia funcionando. “Enquanto o País não tiver juros civilizados, não podemos abrir mão do BNDES”, disse, no mesmo evento.

Na mesma linha, o anfitrião e presidente da Bralyx, Gilberto Poleto, destacou a importância do BNDES para o fomento da inovação nas empresas e ressaltou que seus fornecedores e clientes compraram insumos e máquinas por meio do Finame e do cartão BNDES. “Um em cada três clientes nossos usa o Finame ou o Cartão BNDES e, entre 2012 e 2015, 700 clientes foram beneficiados por estas iniciativas”, ressaltou.

O executivo ressaltou também que sua empresa se especializou para atender um nicho de clientes com um ticket médio de US$ 20 mil que, segundo ele, estavam desatendidos em todo o mundo. “Vendemos uma máquina para um cliente do Líbano. Depois recebemos um pedido de Londres, de um primo desse cliente. O mesmo acontece na Itália e em outros países. Construímos uma rede de relacionamento importante em todo o mundo”, disse.

Segundo a Bralyx, que inaugurou oficialmente nesta sexta-feira (21) a nova sede, o investimento foi de cerca de R$ 9 milhões, parte financiada pelo BNDES. A companhia ressalta ainda que o banco de fomento também está financiando um projeto de inovação que inclui novos produtos e processos industriais, gestão e atendimento a clientes, além do financiamento à exportação.