Copom ficou no “quatro a três”: depois da novidade, o que esperar da Selic?

O melhor mesmo é esperar a ata; mas, o novo tom da decisão dá pistas de que o ritmo dos cortes pode ser aprofundado

SÃO PAULO – Na última quarta-feira, o Comitê de Política Monetária deu razão à grande maioria dos investidores, que apostava em um novo corte de 25 pontos-base na taxa básica de juro da economia brasileira, agora em 12,50% ao ano.

Mas, a despeito do fato de a decisão do colegiado estar alinhada à percepção do mercado, “a vantagem apertada da opção de corte de 0,25 ponto percentual sobre a alternativa de redução de 0,50 ponto foi a novidade”, destacou a LCA Consultores.

Mercado começa a apreçar

Aliás, diante do quadro relativamente novo, as taxas dos contratos de DI futuro já operam em queda, ajustando-se à possibilidade de o processo de afrouxamento monetário assumir um ritmo mais acelerado daqui pra frente.

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Entretanto, é preciso ressaltar que, apesar do “quatro a três” já inspirar certa euforia em relação à política monetária vindoura, analistas concordam que o ideal mesmo é esperar a publicação da minuta da reunião, que poderá tornar mais claros os motivos e os efeitos do desacordo entre os membros do comitê.

Selic em 10,75% ao ano

Obviamente, investidores e analistas não ficarão inertes até lá e as informações disponíveis começam a ser incorporadas às projeções para a Selic. Neste sentido, a equipe de pesquisas do Bradesco prevê a taxa em 10,75% ao ano no final de 2007, assim como a LCA Consultores.

A consultoria acredita que, na próxima reunião o colegiado, um corte de 50 pontos-base vai ser acordo, contrariando aquela parcela significativa do mercado que esperava uma seqüência homogênea para os cortes até o final de 2007, avaliações que, inclusive, já devem estar em revisão.

O porquê de tudo isso

Por sua vez, a leitura preliminar do Bradesco, antes da divulgação da ata, é que nas próximas duas reuniões os cortes serão de 50 pontos-base. A partir de então, o Copom retomará o ritmo atual para a Selic fechar 2007 aos 10,75% ao ano.

Por trás disso, estão a percepção de que a inflação no primeiro trimestre foi pontual e a convergência das expectativas inflacionárias para níveis confortavelmente abaixo do centro da meta, concluiu a instituição.

Ata vai esclarecer o mercado

Enfim, o fato é que, agora, a divulgação da ata, no dia 26 de abril, ganha importância adicional, resumiram os analistas da Merrill Lynch. Em todo caso, a perspectiva de que juro brasileiro pode cair mais rapidamente é uma notícia positiva para a atividade econômica local.

Ademais, a ata será o primeiro documento de política monetária a ser divulgado depois da revisão na metodologia de cálculo do PIB (Produto Interno Bruto) e, por isso, pode revelar de que maneira tais informações foram recebidas pelo Banco Central, destacaram LCA e Merrill Lynch.

Diante do quadro atual, “para não continuarmos especulando, melhor conferir a Ata a ser divulgada na próxima semana”, ponderaram os analistas da Tendências.