Convenções iniciam com indefinições sobre vices de Flávio e Zema e chapas incompletas

Eventos presidenciais e estaduais nos quais partidos oficializam suas candidaturas começam hoje e vão até 5 de agosto; siglas como União Brasil, PP e Republicanos ainda não definiram apoio a Flávio ou neutralidade

Agência O Globo

Luiz Inácio Lula da Silva: Elizabeth Frantz / Reuters
Flávio Bolsonaro: Adriano Machado / Reuters
Romeu Zema: Divulgação
Ronaldo Caiado: Isac Nóbrega/PR
Luiz Inácio Lula da Silva: Elizabeth Frantz / Reuters Flávio Bolsonaro: Adriano Machado / Reuters Romeu Zema: Divulgação Ronaldo Caiado: Isac Nóbrega/PR

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Pré-candidatos à Presidência e a cargos estaduais chegam às convenções partidárias com chapas incompletas e coligações a definir tanto na esfera nacional quanto em colégios eleitorais relevantes. O calendário das convenções, nas quais os partidos oficializam suas candidaturas ao Executivo e ao Legislativo, começa nesta segunda (20) e vai até o dia 5 de agosto, conforme estipulado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As siglas têm até 15 de agosto para registrar as candidaturas.

A maior parte das convenções de presidenciáveis será realizada em São Paulo, com exceção do Novo, que realizará seu evento em Brasília.

Em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, tanto a esquerda quanto a direita chegam aos eventos sem que as chapas estejam completamente fechadas, em meio a dúvidas sobre quem vai concorrer ao governo. No Rio, é o bolsonarismo quem enfrenta dificuldades de fechar os candidatos após uma operação da Polícia Federal (PF) prender Márcio Canella (União), ex-prefeito de Belford Roxo (RJ) que estava consolidado para disputar o Senado com apoio da família Bolsonaro, e o vice também ainda é alvo de dúvidas. Em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD) ainda precisa bater o martelo sobre sua vice e sobre a segunda vaga ao Senado e, no Maranhão, é a chapa do petista Felipe Camarão (PT) que carece de definições.

Na esfera federal, o PL realiza no sábado (25) na Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo, o evento que vai formalizar Flávio Bolsonaro como candidato à presidência da República. Mas o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) chega às vésperas da convenção sem vice escolhido, em meio à dificuldade de fechar apoio de siglas do centrão, como a federação União Brasil – Progressistas. Flávio tem dito que quer uma vice mulher, e Daniella Marques (Republicanos), ex-presidente da Caixa Econômica Federal, e a deputada federal Clarissa Tércio (PP-PE) são alguns dos nomes de maior força neste momento.

Entretanto, a escolha da vice passa por acertos partidários e, hoje, o PL tem dificuldades de alianças com partidos do Centrão que em 2022 estiveram com Jair Bolsonaro. Tanto o Republicanos (que só realiza a convenção no dia 4 de agosto) quanto o União-PP (cujo evento será em agosto, ainda sem data) não fecharam se vão integrar a coligação de Flávio e avaliam ficar neutros na disputa nacional. Marcos Pereira, presidente nacional do Republicanos, afirmou que “ainda tem muita água para rolar” e adia uma definição. Já o Solidariedade tende a ficar neutro, e não apoiar nem Lula nem Flávio. Nas eleições estaduais, entretanto, essas siglas do centrão vão adotar postura distinta: em alguns estados vão estar junto a candidatos de esquerda e, em outros, vão compor coligações da direita.

No domingo (26), o PSD lança Ronaldo Caiado ao Planalto. A sigla já chega ao evento com mais definições e com a chapa fechada: o presidente do partido, Gilberto Kassab, será o vice. Apesar de ter candidato próprio na esfera federal, nos estados o partido vai respeitar alianças locais já pré-estabelecidas, como é o caso de São Paulo, em que o PSD fará parte da coligação de Tarcísio de Freitas (Republicanos), que por sua vez apoia Flávio, e não Caiado, para a presidência. O evento do PSD será realizado em São Paulo — no mesmo dia, será feita a convenção local, que fechará o apoio a Tarcísio.

Em 27 de julho, Romeu Zema será oficializado candidato ao Planalto pelo Partido Novo na convenção que será realizada em Brasília. O partido também precisa definir a vice. O ex-governador de Minas Gerais ainda tenta angariar apoio de outras siglas, como o Podemos. Entretanto, a definição sobre o nome do vice não deve sair no dia 27 e só deve ficar mais para o fim do prazo das convenções, em agosto.

Em 1º de agosto, o Missão, partido criado em 2025 pelo Movimento Brasil Livre (MBL) e que vai participar de sua primeira eleição, lança Renan Santos em uma cerimônia em São Paulo. Ele terá uma chapa “puro sangue”, com Aroldo Medina (Missão) como vice.

Já o PT lançará Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição em 2 de agosto, também em São Paulo, com Geraldo Alckmin (PSB) como vice. O partido deve ter em sua coligação o PCdoB e o PV (que são federados ao PT), a federação Rede-PSOL e o PDT. Mas se na esfera nacional a situação está pacífica, em alguns estados a legenda do atual presidente enfrenta impasses.

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Nos estados, chapas indefinidas

Minas Gerais chega a fase de convenções com dificuldades no tabuleiro eleitoral da esquerda à direita. O PT, que realizará sua convenção estadual em 1º de agosto, se encaminha para lançar o deputado Patrus Ananias (PT-MG) para o governo, após nem o senador Rodrigo Pacheco (PSB) nem a ex-prefeita de Contagem Marília Campos terem aceitado disputar o cargo. A chapa completa não foi fechada até o momento. Uma das vagas ao Senado deve ficar com Marília, enquanto a segunda vaga e o posto de vice seguem em aberto.

Já a direita vive em compasso de espera pela escolha do senador Cleitinho (Republicanos-MG), que ainda não sabe se vai ou não concorrer a governador. Caso ele seja candidato, a tendência é que o PL esteja em sua chapa – a convenção do partido ocorre em 27 de julho. Hoje, o partido de Flávio Bolsonaro só tem uma definição: lançar Domingos Sávio (PL) ao Senado. Sem Cleitinho como cabeça de chapa, o PL quer lançar candidato próprio, e alguns nomes possíveis são os empresários Vittorio Medioli e Flavio Roscoe. O atual governador Mateus Simões (PSD) será formalizado como candidato à reeleição em 2 de agosto, na convenção do PSD mineiro. A sigla, entretanto, ainda precisa fechar a chapa majoritária, já que o posto de vice ainda está indefinido — o nome deve ser indicado pelo Partido Novo.

No Rio, o PL vai oficializar Douglas Ruas como candidato ao governo na convenção marcada para 24 de julho, mas o vice ainda é uma incógnita. O senador Carlos Portinho (PL-RJ) foi definido como um dos pré-candidatos ao Senado na chapa, enquanto a segunda vaga é vista como pivô de impasse. Há meses, o ex-prefeito de Marcio Canella (União) estava escalado, mas após sua prisão por porte ilegal de arma há duas semanas, sua candidatura ficou ameaçada. Neste fim de semana, o ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa (PP) desistiu de ser vice de Ruas e o movimento indica uma provável neutralidade da federação PP-União no estado, isolando o PL e favorecendo o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD).

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Em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD) vai ser oficializada como candidata à reeleição em 2 de agosto na convenção partidária, mas ainda não bateu o martelo se Priscila Krause (PSD), atual vice-governadora, permanecerá no posto. Para o Senado, o nome de Túlio Gadelha (PSD) é o mais consolidado, enquanto a segunda vaga ainda passa por acertos partidários com o União e o PP. No dia 1º, o PSB formaliza a candidatura de João Campos ao governo, numa chapa com Carlos Costa (Republicanos) como vice, e Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT) ao Senado.

No Maranhão, o PT chega perto da convenção, marcada para 1º de agosto, com a missão de completar a chapa de Felipe Camarão (PT), que é pré-candidato ao governo. Ele ainda não tem vice e, para o Senado, por enquanto o único nome definido é da senadora Eliziane Gama (PT-MA), que tentará a reeleição. O PL não deve ter candidato próprio no estado e ainda patina para conseguir um palanque local para Flávio. Outro entrave no estado se concentra no Centrão. Integrantes da mesma federação, André Fufuca (PP) e Pedro Lucas Fernandes (União Brasil) se lançaram como pré-candidatos ao Senado, só que enquanto Fufuca apoia a reeleição de Eduardo Braide (PSD), Pedro endossa o nome de Orleans Brandão (MDB) ao governo maranhense.

Em São Paulo, o PT realiza sua convenção estadual no dia 25 de julho para oficializar a candidatura de Fernando Haddad (PT) ao governo paulista. O evento será realizado em Campinas, como um aceno da sigla ao interior do estado, onde historicamente tem mais dificuldades eleitorais. A chapa de Haddad já está definida: Márcio França (PSB) será seu vice e, ao Senado, as duas candidatas serão Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB).

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Já o Republicanos oficializa a candidatura de Tarcísio de Freitas à reeleição em 1º de agosto no Ginásio do Ibirapuera, na capital. Seu vice será Felício Ramuth (MDB), enquanto Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL) concorrerão ao Senado na chapa do governador.

Nesta segunda (20), a federação União-PP realiza sua convenção em âmbito estadual em São Paulo para formalizar o apoio a Tarcísio, a candidatura de Derrite e o apoio a Flávio, ainda que a direção nacional das duas siglas ainda não tenha se posicionado sobre a disputa federal.