“Congresso faz silêncio absurdo”, diz Duda Salabert sobre Polícia utilizar foto dela

Além da deputada, Erika Hilton também foi incluída em álbum para identificação de suspeitos usado pela polícia de Recife

Caio César

(Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados)
(Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados)

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A deputada federal Duda Salabert (PDT-MG) taxou como “absurdo” o silêncio do Congresso Nacional em relação ao caso em que a Polícia de Pernambuco utilizou fotos dela e da também deputada Erika Hilton (PSOL-SP) em um álbum para identificar suspeitos de crime.

“Infelizmente, a população brasileira não pode esperar nada de bom do Congresso, que trabalha para tirar direitos das pessoas e enriquecer deputados de forma ilícita. Não houve nenhuma nota de solidariedade. O presidente Hugo Motta deveria fazê-lo”, disse, em entrevista ao UOL.

“Se fosse o retrato do Nikolas Ferreira, tenho certeza que o Congresso se posicionaria e o Motta também. Mas são duas travestis, então é um silêncio absurdo do Congresso”.

Como noticiado primeiro pelo InfoMoney, na terça-feira (24), as deputadas souberam, por meio de confirmação da Defensoria Pública do estado, que suas fotos estavam sendo utilizadas indevidamente pela polícia em Recife.

No documento, a Defensoria afirma que a “única razão que pode explicar a inserção dessas fotografias no procedimento é o fato de que ambas as parlamentares são mulheres negras e trans”, o que evidenciaria que o critério de seleção adotado pela autoridade policial foi o pertencimento a um grupo identitário, e não qualquer semelhança individualizante com a descrição física da suspeita fornecida pela vítima.

“Tal conduta, além de afrontar a dignidade de Vossa Excelência [Duda Salabert], contamina irremediavelmente a validade do ato probatório e viola os princípios constitucionais da igualdade”, destaca outro trecho do ofício.

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A Defensoria Pública pediu a nulidade, nos autos da resposta à acusação que envolveu o álbum citado, o que resultou na revogação da prisão preventiva relacionada ao caso.

Em resposta, um ofício enviado por Duda destaca que a situação “não pode ser tratada como um equívoco isolado”, mas sim, ”um episódio que reforça estigmas historicamente impostos a pessoas trans, associando sua imagem, de forma indevida, à criminalidade”.

No documento, além da exclusão das imagens, a parlamentar solicita o esclarecimento detalhado sobre os critérios utilizados para a composição do álbum, a identificação das autoridades responsáveis pela elaboração e a apuração de eventuais responsabilidades administrativas e correção de falhas procedimentais encontradas.