Congresso entra em modo campanha e eleva risco de decisões apressadas em 2026

Ano legislativo encurtado concentra votações sensíveis e aumenta preocupação com efeitos fiscais e institucionais

Marina Verenicz

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O calendário eleitoral de 2026 deve impor um ritmo mais curto e intenso ao Congresso Nacional, elevando o risco de votações apressadas em temas sensíveis. A avaliação foi feita no episódio desta sexta-feira (30) do Mapa de Risco, novo programa de política do InfoMoney, ao analisar as prioridades do Legislativo no início do ano eleitoral.

Durante o programa, o head de política da XP, Paulo Gama, destacou que o funcionamento do Congresso tende a ficar concentrado no primeiro semestre, dado que, a partir de junho, deputados e senadores passam a dedicar mais tempo às campanhas em seus estados.

Esse encurtamento do calendário aumenta a pressão para que projetos avancem rapidamente, muitas vezes guiados mais pelo impacto eleitoral do que por avaliações estruturais. Segundo o analista, o risco maior não é a paralisia, mas a tramitação acelerada de propostas com efeitos duradouros.

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“O risco principal está numa discussão que seja pautada mais pelos resultados eleitorais do que pelo ajuste de pontos que precisam acontecer de fato”, alertou Gama.

Entre as pautas citadas estão medidas de apelo popular, como programas de redução do custo de vida, mudanças em benefícios sociais e propostas relacionadas à jornada de trabalho.

“Pautas populares em ano eleitoral geralmente são perigosas do ponto de vista macro fiscal”, justamente porque encontram menos resistência política em um ambiente de campanha.

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E esse movimento não parte apenas do governo. Segundo o analista de política da XP, João Paulo Machado, a oposição tende a intensificar a pressão por meio de comissões parlamentares de inquérito e da retomada de temas sensíveis, especialmente ligados à segurança pública. A estratégia, segundo a análise, é colocar o governo na defensiva e ampliar o desgaste político ao longo do primeiro semestre.

Nesse contexto, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entra no ano legislativo tentando equilibrar duas frentes. De um lado, acelerar propostas que possam virar bandeiras eleitorais; de outro, evitar que a agenda do Congresso produza decisões com impacto fiscal ou institucional difícil de reverter após a eleição.

Com pouco tempo para debates prolongados, qualquer avanço rápido em temas sensíveis tende a ser interpretado como sinal de risco adicional. A leitura apresentada no Mapa de Risco é que, em 2026, mais do que o conteúdo das propostas, o ritmo e o timing das decisões legislativas serão determinantes para a percepção de estabilidade política e econômica.

O Mapa de Risco, novo programa de política do Infomoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 5h da manhã, no Youtube e no seu tocador de podcast preferido.