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Em sua primeira agenda pública conjunta, o trio de presidenciáveis do PSD, reforçado agora pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado, procurou se posicionar como uma alternativa viável e moderada diante de um cenário polarizado entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). A ideia, segundo eles, é liderar um projeto de viés centrista, mas com a promessa de se opor ao petista no segundo turno, seja qual for o adversário.
Ao lado dos governadores do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e do Paraná, Ratinho Júnior, seus novos companheiros de partido, em um evento em São Paulo nesta quarta-feira (28), Caiado deu sinais sobre como será o projeto do PSD à presidência. O ruralista afirmou que todos os pré-candidatos da sigla estão unidos e comprometidos com uma candidatura própria e independente de Flávio.
— Certeza absoluta de que teremos um candidato à Presidência da República — ele garante.
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A escolha do protagonista não deve ter brigas fratricidas, segundo as primeiras declarações dos pré-candidatos. Ele será decidido pelo presidente da sigla, Gilberto Kassab, por meio de debate interno, mas sem a realização de prévias, como ocorreu com o PSDB no pleito anterior. Caiado fez uma alegoria com a “fumacinha branca” do Vaticano, comparando o processo à escolha de um novo Papa, mas com a decisão final a cargo do cacique partidário.
— Não há nenhum critério objetivamente definido. Vai ser pela capacidade de entendimento político daquilo que possa, no processo eleitoral, melhor ser exitoso — afirmou Leite.
O trio mantém diferenças de estilo e retórica. Leite, por exemplo, faz críticas constantes tanto ao petismo quanto ao bolsonarismo. Caiado, de origem ruralista e com longa trajetória política, procura exibir um discurso linha-dura na segurança pública e, assim como Ratinho, participou de passeatas e manifestações ao lado de Bolsonaro. Já o paranaense, filho do apresentador de TV, tem perfil jovem e está filiado ao partido de Kassab desde 2016, antes de conquistar o primeiro mandato de governador.
No encontro com o empresariado paulista, contudo, o discurso foi de união contra o PT e alinhamento em pautas como austeridade fiscal, rigor no combate à criminalidade, reformas do estado e parceria com o setor privado para o desenvolvimento econômico.
— Não queremos disputar um com o outro. Quem tem mais condição de representar um projeto de um novo Brasil, de virar essa página? Acho que aqui todo mundo já está politicamente realizado como governador do seu estado — defendeu Ratinho.
Convívio com Flávio
A retórica também busca evitar o fogo amigo no campo conservador. O fato de concorrerem à direita com o filho de Bolsonaro foi minimizado por eles e também por outro convidado do painel, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, que ao menos por ora permanece pré-candidato pelo Novo. Caiado relatou que teve uma reunião de duas horas com Flávio, na semana passada, junto com o coordenador de campanha do rival, o senador Rogério Marinho (PL).
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— Ele entendeu perfeitamente — disse. — Uma candidatura única no primeiro turno é o que o Lula quer, mas não estamos fazendo o gosto do Lula, nós estamos querendo ganhar a eleição.
O movimento de Kassab foi lido por aliados do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como um sinal de que ele não está mais otimista com a reversão da candidatura de Flávio. O chefe do Executivo paulista irá ao encontro de Bolsonaro nesta quinta, na “Papudinha”, em Brasília, uma semana depois de ser pressionado publicamente pelo senador e cancelar a visita.