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Como pensa João Rodrigues, o deputado que assistiu pornografia no plenário da Câmara?

Para além do triste episódio desta semana, aproveitamos a ocasião para introduzir ao leitor o parlamentar e como tem sido sua atuação no campo da política nacional

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SÃO PAULO – Que deputado não gostaria de ganhar repercussão nacional? Uma das grandes dificuldades de parlamentares hoje é adquirir espaço na mídia e se tornar mais conhecido pela sociedade em meio à grande competição por cargos políticos. De qualquer forma, temos certeza de que ninguém no mundo gostaria de ganhar o infeliz rótulo do deputado João Rodrigues (PSD-SC), pego por reportagem do SBT assistindo a um vídeo pornográfico durante a sessão sobre a reforma política na Câmara realizada na última quarta-feira (27).

Para além do episódio dessa semana, aproveitamos a ocasião para introduzir ao leitor o parlamentar e como tem sido sua atuação no campo da política nacional. Natural Chapecó (SC) e radialista da Rádio Centro-Oeste de Pinhalzinho por doze anos, João Rodrigues, 48, tem mais filiações partidárias do que mandatos em Brasília. O parlamentar, que nasceu no PFL e migrou para o DEM com o fim da primeira sigla, está em sua segunda legislatura na Câmara, desta vez, pelo PSD. Em 2014, foi o segundo deputado mais votado em seu estado, com 221.409 votos – pouco mais de 8 mil a menos que o primeiro colocado.

Em seu estado, já foi vice-prefeito de Pinhalzinho entre 1997 e 2000, quando no ano seguinte assumiu como prefeito do município, posto que ocupou por dois anos. Ainda pelo PFL, foi deputado estadual catarinense entre 2002 e 2004 e prefeito de sua cidade nos seis anos seguintes, sendo os dois últimos como filiado do DEM.

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Como deputado federal, ainda é um tradicional membro do conhecido “baixo clero” – grupo composto pela maioria de parlamentares sem grande expressão na casa – e tem se envolvido em assuntos relacionados ao meio empresarial, sobretudo na área do agronegócio, e segurança pública através da polêmica questão do comércio de armas e redução da maioridade penal, tema defendido por ele desde que desembarcou na capital federal. Na avaliação do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), Rodrigues é um dos 139 deputados eleitos que compõem a bancada ruralista.

Na atual legislatura, é titular da Comissão de Viação e Transportes e da comissão especial destinada a analisar a PEC 171/93, sobre a redução da maioridade penal. Como suplente, integra a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural e a comissão especial destinada a analisar o PL 3722/2012 que disciplina as normas sobre aquisição, posse, porte e circulação de armas de fogo e munições, cominando penalidades e dando providências correlatas.

Conforme consta no site da Câmara dos Deputados, nenhum projeto de autoria do deputado catarinense foi aprovado. No entanto, vale destacar uma emenda que sugeria ao governo medidas ao adotar em caso de municípios em situação de calamidade, especificamente os municípios de Xanxerê, Passos Maia e Ponte Serrada, em Santa Catarina; a sugestão ao Ministério de Minas e Energia sobre o estabelecimento de regulamentação dos níveis mínimos de eficiência energética de fornos elétricos domésticos; o pedido de alteração em lei que dispõe sobre posse e comercialização de armas de fogo e munição, sobre o Sistema Nacional de Armas para incluir os agentes de segurança privada e os representantes comerciais no rol dos profissionais autorizados a portar arma de fogo; e uma proposta para estender às pessoas portadoras de doenças raras a prioridade de atendimento. (para conferir outros projetos do parlamentar, clique aqui).

Entre as empresas que financiaram sua última campanha destaque para Clarice Eletrodomésticos, com R$ 512 mil; Prosul (Projetos, Supervisão e Planejamento), com R$ 150 mil; e Bugio Agropecuária, com R$ 100 mil investidos. Ao todo, a campanha de João Rodrigues custou R$ 1.631.542,19.