Quadro complicado

Com estratégia “matadora” de Janot, Temer terá mais dificuldade do que pensava para barrar denúncia

Câmara não quer apressar rito de denúncia; defesa do presidente terá defecções no PSDB, no centrão e no PMDB

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SÃO PAULO – O presidente Michel Temer encontra dificuldades para garantir que a maioria dos integrantes da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara vote contra a denúncia oferecida pelo procurador-geral da República Rodrigo Janot, apontam os jornais O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo.

A Folha ressalta que, dos sete deputados do PSDB no colegiado, apenas um esteja disposto a votar a favor de Temer, enquanto o Estadão aponta que cinco tucanos votarão pela admissibilidade da denúncia. Ainda segundo o Estadão, o PSDB pode definir se fica ou não no governo antes no parecer na CCJ. 

A Folha aponta ainda que há defecções no “centrão” e até no PMDB. O PSD, por exemplo, tem cinco deputados na CCJ e conta três votos a dois pró-Temer, com viés de baixa. 

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Com a estratégia de fatiamento da denúncia sendo visto como matadora para Temer, os seus aliados afirmaram a ele que o cenário inspira cuidados. Na prática, admitem, a PGR conseguiu minar o capital político do peemedebista, aponta a Folha. 

 A CCJ não tem função determinante na aceitação da denúncia, ressalta a coluna da Folha. Contudo, oferece um panorama do tamanho da batalha que Temer terá para se manter no Planalto.

Vale destacar ainda que, contra vontade de Temer, Câmara não quer apressar denúncia, segundo destaca a Folha. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, indicou que cada denúncia da PGR será votada em separado, como quer a oposição, e não conjuntamente, como quer Temer, diz o jornal. Além disso, sucessor imediato, o presidente da Câmara indicou aos principais caciques de seu partido que não atuará para blindar ou salvar o peemedebista no processo de votação das denúncias contra ele.