CNJ identifica juízes com salário acima de R$ 1 milhão e Fachin abre ofensiva

Portaria assinada pelo ministro do STF cria comissão com prazo de 180 dias para propor reformas no sistema remuneratório do Judiciário, onde auditoria já mapeou mais de 500 tipos distintos de extras

Equipe InfoMoney

Brasília (DF), 02/02/2026 - O presidente do STF, Edson Fachin, durante a abertura do Ano Judiciário de 2026 do Supremo Tribunal Federal (STF). Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Brasília (DF), 02/02/2026 - O presidente do STF, Edson Fachin, durante a abertura do Ano Judiciário de 2026 do Supremo Tribunal Federal (STF). Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Publicidade

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) identificou casos de magistrados com remuneração mensal superior a R$ 1 milhão e, diante do diagnóstico, o ministro Edson Fachin assinou na última sexta-feira (5) uma portaria que cria um grupo de trabalho para revisar o sistema de pagamentos do Judiciário brasileiro.

A medida foca nos chamados “penduricalhos”, adicionais que permitem remunerações muito acima do teto constitucional e que há anos figuram como fonte de críticas ao Poder Judiciário. Um levantamento do próprio CNJ identificou a existência de mais de 500 registros diferentes dessas verbas, pagas com nomenclaturas distintas entre os tribunais.

O objetivo declarado do grupo de trabalho é realizar estudos sobre propostas legislativas a respeito da remuneração da magistratura e seus reflexos no aperfeiçoamento do sistema remuneratório do serviço público nacional. O colegiado será formado por integrantes da magistratura, além de representantes do Ministério Público, Defensorias, Congresso Nacional e Tribunal de Contas da União, com prazo de 180 dias para entregar o relatório final.

Na portaria, Fachin descreveu a distorção atual como a utilização de verbas indenizatórias com efeitos de verbas remuneratórias, com o objetivo de superar a defasagem do teto remuneratório, e o reconhecimento de passivos funcionais nem sempre devidamente amparados na interpretação das normas vigentes.

A iniciativa se soma a medidas anteriores adotadas pelo CNJ no mesmo sentido. No final de maio, o plenário do CNJ aprovou por unanimidade a criação de um contracheque único para magistrados de todos os tribunais do país, com prazo de 60 dias para adaptação dos sistemas de folha de pagamento.

A resolução cria uma lista fixa de nomenclaturas para cada verba remuneratória e proíbe a criação de novos tipos de benefício ou o uso de nomes distintos para auxílios sem autorização em lei federal.

Continua depois da publicidade

O contexto também envolve decisões do STF. Em fevereiro, o ministro Flávio Dino determinou a suspensão de verbas indenizatórias sem previsão legal expressa em qualquer dos três Poderes, e o Plenário do STF consolidou a medida em março, estabelecendo prazo de 60 dias para que os órgãos públicos revisassem seus benefícios.

(com Agência Brasil)