CNJ afasta juiz flagrado bebendo vinho e fumando durante sessão do TJMG

Milton Lívio Lemos Salles também foi proibido de frequentar dependências do tribunal; vídeo do julgamento remoto viralizou nas redes sociais

Reprodução Rede Sociais
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A Corregedoria Nacional de Justiça afastou nesta terça-feira (11) o juiz Milton Lívio Lemos Salles, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), após ele aparecer bebendo vinho e fumando durante uma sessão de julgamento realizada por videoconferência.

O episódio ocorreu na segunda-feira (10) e ganhou repercussão nas redes sociais depois que trechos da transmissão passaram a circular. Nas imagens, o magistrado aparece de bermuda, bebe diretamente de uma garrafa de vinho e fuma enquanto participa da sessão.

A decisão de afastamento foi tomada pelo corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell Marques. Segundo ele, a conduta é incompatível com as exigências do cargo e compromete a imagem do Judiciário.

“O consumo de bebida alcoólica diretamente da garrafa e o ato de fumar diante da câmera, durante sessão de julgamento em curso, à vista das partes, dos advogados e dos demais integrantes do colegiado, configura, em juízo de cognição sumária, conduta frontalmente incompatível com os deveres de urbanidade, sobriedade e respeito à função jurisdicional”, afirmou Campbell.

O corregedor também considerou que a repercussão do episódio poderia afetar a confiança pública nas decisões judiciais. Por isso, entendeu que a permanência de Salles na função representaria risco aos processos sob sua responsabilidade e à própria imagem institucional do Judiciário.

Além do afastamento, o magistrado foi proibido de frequentar dependências do TJMG, tanto de primeira quanto de segunda instância. A medida é cautelar e continuará valendo até uma nova análise do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Salles atua como juiz convocado em colegiado de segunda instância do tribunal mineiro, na área de direito de família. Segundo o Portal da Transparência do TJMG, ele recebeu remuneração líquida de R$ 83,5 mil em julho.

Após a repercussão do caso, o magistrado publicou um vídeo no qual afirmou ser alvo de “difamação” e fez acusações contra integrantes do TJMG, do Supremo Tribunal Federal e contra o ministro Alexandre de Moraes.

“São todos uns corruptos, falo isso com conhecimento de causa. Estou cansado. Muito cansado”, declarou.

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Marina Verenicz
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