Cláudio Castro é alvo de busca e apreensão da PF em investigação ligada ao Master

Ex-governador do Rio é um dos dez alvos de busca e apreensão na 8ª fase da operação Compliance Zero

Caio César

Publicidade

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (26) a oitava fase da Operação Compliance Zero, ampliando o cerco sobre suspeitas de irregularidades envolvendo recursos da Rioprevidência aplicados em produtos financeiros ligados ao Banco Master. Um dos principais alvos da ação é o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro.

Agentes federais cumpriram mandado de busca e apreensão na residência de Castro, uma cobertura localizada na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio. Ao todo, a operação executa dez mandados no Rio de Janeiro e no Distrito Federal contra ex-dirigentes e integrantes ligados à Rioprevidência.

A nova fase da investigação concentra-se em aplicações que teriam alcançado R$ 2,01 bilhões a partir de julho de 2024 em fundos vinculados ao Banco Master. Segundo a PF, somando operações anteriores, os aportes suspeitos do fundo previdenciário estadual já chegam perto de R$ 3 bilhões.

As apurações são desdobramento da Operação Barco de Papel, que identificou movimentações consideradas atípicas da Rioprevidência em letras financeiras emitidas por um banco privado.

Segundo os investigadores, entre outubro de 2023 e julho de 2024 foram direcionados cerca de R$ 970 milhões para esses ativos. A PF passou então a aprofundar a análise sobre a política de investimentos adotada pelo fundo durante a gestão de Castro.

Em fevereiro, a PF prendeu o ex-presidente da Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes. A prisão ocorreu pouco mais de uma semana após ele ter deixado o comando do fundo após ser alvo de uma operação que apurava suspeitas de gestão fraudulenta e desvio de recursos.

Continua depois da publicidade

De acordo com a investigação, durante a gestão de Antunes e de outros ex-diretores, a Rioprevidência alterou critérios internos de segurança para investimentos em instituições financeiras privadas.

A PF afirma que regras relacionadas à análise de risco teriam sido revogadas, permitindo que o fundo ampliasse aportes em produtos ligados ao Banco Master sem exigências técnicas que antes funcionavam como barreira de proteção.

Os investigadores sustentam que essa flexibilização abriu caminho para aplicações bilionárias consideradas de alto risco para o patrimônio previdenciário dos servidores estaduais.