Ciro nega irregularidades e critica operação da PF sobre caso Master

Defesa do senador afirma que buscas foram baseadas em “mera troca de mensagens” e promete contestar medidas no STF

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Ciro Nogueira | Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
Ciro Nogueira | Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

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A defesa do senador Ciro Nogueira (PP-PI) reagiu nesta quinta-feira (7) à nova fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que teve o parlamentar como alvo de mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em nota divulgada após a operação, a assessoria do senador afirmou que ele “não teve qualquer participação em atividades ilícitas” e declarou que o parlamentar está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

A manifestação ocorre depois de a Polícia Federal apontar suspeitas de que Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, teria oferecido vantagens econômicas ao senador em troca de atuação legislativa favorável a interesses ligados à instituição financeira.

Segundo a decisão assinada por André Mendonça, os elementos reunidos pela investigação indicariam a existência de um “arranjo funcional” entre o empresário e o senador, ultrapassando, na avaliação do ministro, uma relação pessoal ou institucional comum.

A investigação ganhou força após a apreensão de mensagens atribuídas ao núcleo ligado ao Banco Master. De acordo com a PF, os diálogos sugerem pagamentos recorrentes e articulações políticas envolvendo propostas de interesse do banco dentro do Congresso Nacional.

A defesa de Ciro, porém, sustenta que as medidas adotadas pela Polícia Federal foram excessivas. No texto divulgado à imprensa, os advogados afirmam que “medidas investigativas graves e invasivas” não podem ser justificadas apenas por trocas de mensagens, principalmente quando parte delas envolve terceiros.

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Os advogados também indicaram que pretendem questionar judicialmente os fundamentos da operação. Segundo a nota, o caso exigirá “controle severo de legalidade” pelas cortes superiores, em linha semelhante às críticas feitas anteriormente sobre o uso de delações premiadas em investigações de corrupção.

A quinta fase da Compliance Zero ampliou o alcance político do caso Banco Master. Além de Ciro Nogueira, a operação também teve como alvo Raimundo Nogueira, irmão do senador, e Felipe Cançado Vorcaro, primo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

A PF investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro, manipulação de mercado e uso de empresas para movimentações consideradas irregulares. A operação recebeu o nome de Compliance Zero em referência, segundo os investigadores, à ausência de mecanismos internos capazes de impedir práticas ilícitas nas estruturas investigadas.

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Leia abaixo a íntegra da nota divulgada pela defesa de Ciro Nogueira:

“A defesa do senador Ciro Nogueira repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar.

Reitera o comprometimento do senador em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos.

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Pondera, por fim, que medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas cortes superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas.”

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Marina Verenicz
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