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O presidente da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Lopes, se entregou à Polícia Federal na noite desta quarta-feira (12), em Brasília.
Lopes era considerado foragido desde novembro do ano passado, quando a PF tentou cumprir um mandado de prisão contra ele no âmbito da Operação Sem Desconto. Após se apresentar na Superintendência Regional da corporação, ele passou pelos procedimentos de praxe e deve ser encaminhado ao sistema prisional.
A Conafer ocupa posição central na investigação que apura descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. Segundo a PF, beneficiários tiveram valores retirados mensalmente como se fossem associados a entidades, embora muitos não tivessem feito filiação nem autorizado as cobranças. Os investigadores estimam que o esquema possa ter movimentado até R$ 6,3 bilhões.
Organização criminosa e lavagem
Carlos Lopes foi formalmente indiciado no mês passado, quando a Polícia Federal concluiu a primeira etapa da Operação Sem Desconto.
Ao todo, 48 pessoas foram indiciadas. Entre elas estão o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, o ex-procurador-geral da autarquia Virgílio de Oliveira Filho, o ex-diretor de benefícios André Fidelis e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca.
No caso de Lopes, a PF defendeu o enquadramento pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa majorada e lavagem de dinheiro em caráter majorado e reiterado. O relatório final da investigação foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A apuração começou em 2023, dentro da Controladoria-Geral da União (CGU), inicialmente na esfera administrativa. A suspeita é de que entidades cadastrassem aposentados e pensionistas sem autorização e, a partir disso, passassem a cobrar mensalidades diretamente dos benefícios pagos pelo INSS.
