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A polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) consolidou dois eleitorados fiéis, mas, na avaliação de especialistas, as campanhas ainda dedicam energia excessiva a convencer quem já fez sua escolha. O verdadeiro desafio, dizem, está em dialogar com um grupo bem menor de brasileiros que continua disposto a mudar de voto.
Durante o Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, o fundador do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, afirmou que um dos principais erros da disputa presidencial é tratar os chamados eleitores independentes como um bloco homogêneo. Na prática, segundo ele, esse grupo reúne perfis muito diferentes e exige estratégias específicas.
“Existe um cara que não gosta muito de nenhum dos dois. Existe um cara que votou no Bolsonaro e está decepcionado. Existe outro que votou no Lula e também está frustrado. É bem diferente de achar que os dois estão disputando uma mesma massa de eleitores independentes”, afirmou.

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Na avaliação de Meirelles, compreender essas diferenças é mais importante do que tentar ampliar discursos voltados às bases já consolidadas. Isso porque boa parte do eleitorado de Lula e de Flávio dificilmente mudará de posição até outubro.
“O erro é imaginar que existe um eleitor médio esperando para escolher entre um e outro. Na verdade, são grupos distintos, com expectativas diferentes e que respondem a estímulos diferentes”, disse.
O especialista também chama atenção para outro fator que costuma escapar do debate político, de que o tempo do eleitor não é o mesmo da imprensa, do mercado financeiro ou das campanhas.
“O tempo da imprensa e o tempo do mercado é um pouco diferente do tempo do brasileiro médio”, afirmou.
Segundo Meirelles, crises políticas, escândalos ou mudanças nas pesquisas costumam produzir reações imediatas em Brasília, mas demoram mais para alterar a percepção de quem está preocupado principalmente com o cotidiano.
Essa diferença de ritmo faz com que campanhas frequentemente reajam aos acontecimentos do noticiário sem que eles tenham, naquele momento, produzido efeito relevante sobre o eleitor.
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O analista de política da XP, Victor Scalet, também avalia que o foco das campanhas precisa estar no eleitor que ainda pode ser convencido, especialmente em uma eleição que tende a ser decidida por uma margem estreita.
“As evidências que a gente está encontrando mostram que o engajamento acaba sendo mais importante do que o efeito demográfico. Em uma eleição apertada, esse pequeno grupo de eleitores pode fazer toda a diferença”, afirmou.
Para os analistas, isso explica por que os próximos meses serão menos uma disputa para mobilizar militâncias e mais um esforço para identificar quais segmentos ainda permanecem abertos à persuasão.
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O Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 6h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.
