Camargo Corrêa é acusada pela PF de pagar propina a aliados de Sarney

Segundo relatório da Operação Castelo de Areia, empresa teria repassado 3% da obra da eclusa de Tucuruí ao PT e ao PMDB

SÃO PAULO – Segundo relatório da PF (Polícia Federal) realizado durante a Operação Castelo de Areia, a empreitera Camargo Corrêa teria acertado o pagamento de propina com o PT e o PMDB, apontando como supostos beneficiários integrantes do grupo político do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

O valor pago é de pelo menos R$ 2,9 milhões, relativo à construção da eclusa de Tucuruí, no estado do Pará – obra cujo valor estimado é de R$ 97 milhões. As informações foram divulgadas em reportagem do jornal Folha de S.Paulo nesta sexta-feira (22).

Os arquivos que podem comprovar a ilegalidade foram apreendidos com o diretor da companhia, Pietro Bianchi, e são datados de 15 de maio de 2008. Nele, há registros do repasse aos partidos de pelo menos 3% da parcela recebida pela Camargo Corrêa para a construção da eclusa e, ao lado, há a indicação de que o valor seria pago a “Astro/Sarney”.

Segundo a PF, Astro seria Astrogildo Quental, diretor financeiro da Eletrobrás e ex-secretário estadual do Maranhão; enquanto que Sarney seria uma referência ao filho do presidente do Senado, Fernando Sarney. A ligação entre ambos já havia sido apurada pela PF em operações anteriores, sendo Fernando padrinho de Quental na Eletrobrás, e cujos interesses eram defendidos por este.

Empreitera não comenta; suspeitos alegam “escândalo”
Após a acusação, a Camargo Corrêa informou que não irá comentar o caso. Já do lado dos supostos recebedores da propina, José Sarney, bem como outros citados, negam a existência do fato, afirmando que não passa de suspeita para “criar escândalos”.

Desde a última semana, o STF (Superior Tribunal de Justiça) suspendeu a Operação em decorrência da defesa da Camargo Corrêa, que afirma que a legalidade dos documentos encontrados é questionável.

Ainda conforme o documento, o pagamento até o dia 15 de maio de 2008 foi de R$ 1,5 milhão, restando apenas R$ 1,4 milhão a ser pago. Nele, há o repasse de R$ 500 mil ao PMDB, enquanto que o pagamento ao PT estaria ligado ao nome “Paulo”, supostamente Paulo Ferreira, que a PF suspeita ser o tesoureiro do partido.

Mais repasses
Em um outro documento apreendido, há registros do pagamento de R$ 150 mil referentes à obra “HGI” , sigla para a usina de Jirau, segundo código utilizado pela empreitera. Este, mais uma vez, acompanhado do nome “Astro”. Outros documentos relatam pagamento de R$ 300 mil ao lado da inscriação “Ex. Min. Sil.” Que, para a PF, “ao que tudo indica” é o ex-ministro de Minas e Energia Silas Rondeau.

Por fim, há ainda um manuscrito relatando pagamento de R$ 500 mil a “Lobinho”. Segundo a PF trata-se do “apelido comumente relacionado a Edison Lobão Filho, filho e suplente do senador Edison Lobão, atual ministro de Minas e Energia.”

 

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