Alô, é o presidente?

Câmara torna públicos celular de Temer, de ministro do STF e de outros 9 do governo

Os números foram obtidos a partir de dados extraídos de um iPhone do ex-ministro da Secretaria de Governo da Presidência Geddel Vieira Lima, apreendido pela Polícia Federal (PF) numa operação derivada da Lava Jato

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SÃO PAULO – Na noite de ontem, o jornal O Globo publicou matéria revelando que a Câmara dos Deputados divulgou o número do telefone particular do presidente da República, Michel Temer (inclusive ligando para o próprio). O número do celular foi obtido a partir de dados extraídos de um aparelho iPhone do ex-ministro da Secretaria de Governo da Presidência Geddel Vieira Lima, apreendido pela Polícia Federal (PF) numa operação derivada da Operação Lava Jato.

Porém, o número de Temer foi apenas um dentre dezenas de números de autoridades tornados públicos pela Câmara.  No mesmo telefone, informa o jornal, estavam anotados os contatos de um ministro do STF (Supremo Tribunal Federal); de nove ministros do governo Temer; um governador; cinco senadores; oito deputados; um prefeito; um ministro do Tribunal de Contas da União (TCU); e de três investigados que protagonizaram os principais momentos da Lava Jato.

Os dados foram publicados pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), dentro do material relacionado à segunda denúncia da Procuradoria Geral da República contra o presidente, por organização criminosa e obstrução de justiça. Para a O compartilhamento das investigações associadas à denúncia – o que inclui o relatório sobre o iPhone de Geddel, centenas de documentos e vídeos de delação premiada, como a do doleiro Lúcio Funaro – foi autorizado pelo STF. A divulgação dos vídeos da delação, por sinal, já haviam causado uma crise entre o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e o advogado de Temer, Eduardo Carnelós, que afirmou que houve vazamento criminoso, mesmo com os vídeos divulgados na página da Casa. 

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Estão na lista de contatos de Geddel os números do ministro do STF Alexandre de Moraes; dos ministros do governo Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo da Presidência), Bruno Araújo (Cidades), Eliseu Padilha (Casa Civil), Gilberto Kassab (Ciência), Henrique Meirelles (Fazenda), Marx Beltrão (Turismo), Mendonça Filho (Educação), Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência) e Ricardo Barros (Saúde); do governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB); dos senadores Aécio Neves (PSDB-MG), Ciro Nogueira (PP-PI), Fernando Bezerra Coelho (PMDB-PE), Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Romero Jucá (PMDB-RR); do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e de outros sete deputados, como Beto Mansur (PRB-SP), um dos principais aliados de Temer; do prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM); e do ministro do TCU Bruno Dantas. Desde o fim da semana passada, para consulta por qualquer cidadão, os números estão disponíveis no site da Câmara.

Outro contato da agenda de Geddel é Leo Pinheiro, dono da construtora OAS, com que travou uma intensa troca de mensagens quando era vice-presidente da Caixa Econômica Federal. O ex-ministro também tinha anotado o celular de Joesley Batista, um dos donos do grupo J&F, proprietário do frigorífico JBS. Marcelo Odebrecht, um dos donos da Odebrecht, também estava na agenda, assim como os ex-presidentes da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN),

 Ontem, a reportagem do jornal ligou para o número de Temer e falou com o presidente. “Estou falando com presidente, não estou?”, questionou o repórter. “Está, perfeitamente”, disse Temer. Durante a conversa, o presidente minimizou a publicação de seu número pessoal no site da Câmara. “Se você ligar para qualquer ex-ministro, ou qualquer deputado, vai encontrar esse número”, afirmou. “Aliás, umas das críticas que recebo é que eu atendo o meu celular.”