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O governo brasileiro se reúne nesta quarta-feira com a União Europeia para tentar reverter a decisão do bloco europeu de não comprar mais a carne do Brasil a partir de setembro. A notícia foi recebida com surpresa pelas autoridades brasileiras nesta terça. A reunião com as autoridades sanitárias do bloco europeu foi anunciada em nota conjunta de três ministérios: do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, das Relações Exteriores e da Agricultura e Pecuária.

A retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal destinados ao consumo humano para a União Europeia começaria a valer a partir do dia 3 de setembro. A decisão foi tomada em votação do Comitê Permanente para Plantas, Animais, Alimentos e Ração da Comissão Europeia, que aprovou uma atualização da listagem dos países autorizados a vender para o bloco.
A justificativa está relacionada às regras do uso de antimicrobianos na criação dos animais. O governo brasileiro quer manter o fluxo comercial desses produtos para o mercado europeu, conforme já faz há quatro décadas. O Brasil é o maior exportador do mundo de proteínas de origem animal e o principal fornecedor de produtos agrícolas ao mercado europeu.
A decisão dos europeus foi anunciada a menos de duas semanas após o acordo Mercosul-União Europeia entrar em vigor, derrubando as tarifas para a carne brasileira, que chegavam a 20%, para entre 0 e 7,5%. As primeiras operações com as novas cotas já haviam sido registradas. Em coletiva à Associação de Imprensa Estrangeira, Pedro Miguel, chefe da delegação do Brasil na reunião desta quarta, disse que a nova listagem não tem ligação direta com o acordo, mas pode trazer consequências:
“O que eu gostaria de que o diálogo com o lado europeu sobre essa matéria tivesse sido mais frequente e mais fluido. Esse regulamento que vai entrar em vigor em setembro sobre os antibióticos, uso de antibióticos aqui na Europa, é uma legislação que nós já conhecíamos e é uma coisa separada do acordo, mas sim, poderá ter um impacto. Eu tenho uma reunião com as autoridades europeias onde eu espero que me digam quais foram os motivos que levaram a área de saúde animal europeia a excluir o Brasil”, afirma.
Apesar do Brasil ter ficado de fora da lista, outros países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, poderão continuar comercializando para os europeus os produtos de origem animal para consumo humano.
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