Brasil é exemplo de como redes sociais são “drogas”, diz Thomas Friedman

Colunista do New York Times disse no Fórum de Lisboa que plataformas digitais trocaram informação por indignação e citou o país ao falar sobre o colapso da confiança democrática

Paulo Barros

(Foto: Divulgação/Fórum Econômico Mundial)
(Foto: Divulgação/Fórum Econômico Mundial)

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LISBOA – O jornalista Thomas Friedman, colunista do New York Times e três vezes vencedor do Prêmio Pulitzer, citou nesta terça-feira (2) o Brasil como exemplo de polarização política extremo, num argumento mais amplo sobre o papel das redes sociais, consideradas por ele como drogas, na destruição das bases da democracia.

Para ele, a democracia se sustenta em dois pilares: verdade e confiança. Sem saber o que é verdadeiro, uma sociedade perde a direção e, sem confiança, perde a capacidade de agir coletivamente. Segundo ele, as redes sociais atacam os dois ao mesmo tempo.

“As redes sociais são inimigas da verdade e da confiança. O Facebook não está no negócio de notícias. O Twitter não está no negócio de notícias. O modelo de negócio deles não é te informar, é te provocar. Provocar para que você fique na plataforma, e a melhor forma de te provocar é causar raiva”, afirmou Friedman durante sua participação no Fórum Jurídico de Lisboa.

“No Brasil, temos polarização entre os partidos como nunca antes”, disse o jornalista, usando o país como ilustração de um fenômeno que considera global.

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O argumento sobre o papel da tecnologia na polarização se conecta à tese central que Friedman desenvolveu no mesmo painel: a de que a inteligência artificial representa a maior transformação da história humana e que, sem regras claras, ela pode se tornar uma ameaça à própria democracia. Para ele, a IA não é uma tecnologia comum, é uma nova espécie. E ao contrário de outras ferramentas, que fazem o que o ser humano manda, a IA em breve vai tomar decisões por conta própria, sem que ninguém tenha pedido. “Ou aprendemos a colaborar com ela, ou ela vai nos transformar em seus animais de estimação”, disse.

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É por isso que Friedman defende que Estados Unidos e China, as duas maiores potências em inteligência artificial, precisam chegar a um acordo sobre regras éticas para a tecnologia. Sem esse entendimento, defende, o risco é de um mundo em que nenhum país ousa comprar tecnologia do outro por medo de quem controla os dados e os algoritmos. O comércio entre as duas maiores economias do mundo se reduziria a commodities básicas, enquanto o restante do planeta, incluindo o Brasil, ficaria à margem das decisões que vão definir a ordem digital global.

“A inteligência artificial não é de uso dual. É de uso quádruplo. Posso usar meu agente de IA para cortar a grama do meu vizinho ou destruir a grama do meu vizinho. Mas em breve, meu agente vai decidir sozinho se corta, se destrói a grama dele ou a minha”, exemplificou. “EUA e China colaborando em IA: o que poderia ser mais ingênuo do que isso? Só uma coisa: achar que vai ficar tudo bem se a gente não fizer isso”, finalizou.

Paulo Barros

Jornalista há mais de 15 anos, editor de Investimentos no InfoMoney. Escreve sobre renda fixa e variável, alocação e o universo dos criptoativos