A polêmica da CPMF

Bolsonaro “ouve muito Paulo Guedes”, mas palavra final é dele, diz filho

Flávio disse não saber se Guedes e seu pai conversaram previamente sobre a proposta de recriar a CPMF

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SÃO PAULO – Depois da crise de discurso exposta por Paulo Guedes, coordenador econômico da campanha de Jair Bolsonaro (PSL), ao acenar para a recriação da CPMF e ser desmentido pelo presidenciável, o filho do candidato, Flávio Bolsonaro, desautoriza o guru. 

“Ele é o presidente [sic], mais ninguém”, disse Flávio, que é deputado estadual e concorre ao Senado pelo PSL, ao jornal O Estado de S. Paulo. Flávio disse que seu pai “ouve muito o Paulo Guedes”. No entanto, “a palavra final é dele, mas acho que eles chegam num ponto convergente, como tem acontecido direto agora”, respondeu ao ser questionado sobre a intenção do economista de unificar impostos em um tributo cobrado nos moldes da CPMF, extinta em 2007.

Flávio disse também não saber se Guedes e seu pai conversaram previamente sobre a proposta tributária apresentada pelo economista, mas afirmou que seu pai “jamais iria autorizar [Guedes] a falar na imprensa de CPMF”.

A polêmica da CPMF

No início da semana, o “posto Ipiranga” de Bolsonaro fez uma apresentação a uma plateia restrita reunida pela gestora independente GPS Investimentos e teria citado a intenção de implementar um novo imposto aos moldes da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), segundo informações publicadas pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo.

A situação gerou mal estar e ruído sobre a campanha de Bolsonaro, que telefonou para seu guru econômico para cobrar explicações sobre o assunto. Conforme o coordenador da campanha em São Paulo, deputado Major Olimpio, informou à Reuters, Bolsonaro não tinha sido consultado pelo economista sobre o assunto. 

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Segundo Olimpio, o candidato conversou logo cedo com Guedes sobre a proposta, assim que tomou conhecimento dela pela imprensa. Vale lembrar que o candidato segue internado da unidade de terapia semi-intensiva do Hospital Albert Einstein após receber uma facada em evento de campanha. 

Vale destacar que, segundo o Broadcast, diante dos ruídos, Bolsonaro pediu tanto para que Guedes quanto para que o seu vice, Hamilton Mourão, reduzam suas atividades eleitorais. 

Em entrevista ao jornal O Globo, Guedes admitiu que a criação de um imposto sobre transações financeiras está em análise pela campanha, mas a medida não significaria aumento de carga tributária. De acordo com Guedes, a ideia seria substituir impostos federais por um novo tributo, um IVA (Imposto sobre Valor Agregado) e não criar uma nova tributação. A informação teria sido deturpada, segundo Olimpio. 

“Isso acabou levando um susto a todos nós”, admitiu o coordenador da campanha. “Nada disso foi submetido à consideração do presidente [Bolsonaro]”, completou. 

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Ainda ontem Bolsonaro usou seu perfil no Twitter para negar planos de aumentar impostos. “Ignorem essas notícias mal intencionadas dizendo que pretendemos recriar a CPMF. Não procede. Querem criar pânico pois estão em pânico com nossa chance de vitória. Ninguém aguenta mais impostos, temos consciência disso”, escreveu.

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Guedes é conhecido como o “posto Ipiranga” de Bolsonaro, para quem todas as questões sobre economia são direcionadas, e comandará o Ministério da Fazenda caso o candidato do PSL seja eleito.

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