Bolsonaro orienta Flávio a explorar tema das facções após decisão dos EUA

Senador esteve com o pai na manhã desta sexta-feira

Agência O Globo

O senador Flávio Bolsonaro mexe no celular ao chegar para a cerimônia de posse de Kassio Nunes (não retratado) como novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília, Brasil, em 12 de maio de 2026. REUTERS/Adriano Machado
O senador Flávio Bolsonaro mexe no celular ao chegar para a cerimônia de posse de Kassio Nunes (não retratado) como novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília, Brasil, em 12 de maio de 2026. REUTERS/Adriano Machado

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O ex-presidente Jair Bolsonaro orientou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a explorar politicamente a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. O conselho foi dado durante uma reunião realizada na manhã desta sexta-feira no condomínio Solar de Brasília, onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar, segundo relatos de aliados ouvidos pelo GLOBO.

O encontro, que durou cerca de 30 minutos, ocorreu no dia seguinte ao o retorno de Flávio dos Estados Unidos e horas antes do senador embarcar para Curitiba. A reunião funcionou como uma espécie de prestação de contas da viagem realizada nesta semana a Washington. Além de relatar detalhes da conversa que teve com o presidente americano Donald Trump, o senador discutiu com o pai os próximos passos da pré-campanha presidencial, a situação dos principais palanques estaduais e os cenários para a disputa ao Senado no Rio de Janeiro.

De acordo com interlocutores, Flávio contou que Trump perguntou sobre Bolsonaro, quis saber de sua situação e demonstrou interesse pelo momento vivido pelo ex-presidente.

Segundo aliados, Bolsonaro avaliou que a viagem teve saldo positivo e se mostrou particularmente animado com a decisão anunciada pelos Estados Unidos na véspera envolvendo as duas maiores facções criminosas do país. Na conversa, defendeu que o filho explorasse politicamente o episódio e reforçasse críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na área de segurança pública, tema considerado um dos mais favoráveis ao bolsonarismo.

A avaliação do ex-presidente é que a medida adotada pelos Estados Unidos cria uma oportunidade para recolocar o debate político em um terreno historicamente associado à direita. Nas últimas semanas, a pré-campanha de Flávio vinha sendo consumida pelos desdobramentos da crise envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e pela necessidade de conter desgastes internos provocados pelo caso. Nesse contexto, a pauta da segurança pública pode ajudar a reposicionar a campanha e recuperar protagonismo político.

Além da estratégia nacional da campanha, a conversa serviu para discutir um dos principais impasses eleitorais enfrentados hoje pelo grupo: a definição do nome que representará o bolsonarismo na disputa ao Senado pelo Rio de Janeiro.

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Com a desistência do governador Cláudio Castro de disputar uma vaga ao Senado, lideranças do PL passaram a discutir alternativas para representar o grupo político de Bolsonaro na corrida eleitoral. De acordo com interlocutores, os nomes dos deputados Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Carlos Jordy (PL-RJ) estiveram na mesa.

Bolsonaro teria manifestado a avaliação de que Sóstenes chegaria mais preparado à disputa em razão da experiência acumulada na liderança do partido na Câmara dos Deputados e da proximidade com a direção nacional do PL. Flávio, por sua vez, ponderou que o parlamentar tem demonstrado resistência para aceitar a candidatura.

Jordy também foi discutido. Aliados afirmam que o deputado continua sendo visto como um dos principais quadros eleitorais do bolsonarismo no estado e mantém apoio de parcelas importantes da militância. Nos bastidores, seu nome é tratado como um aceno ao eleitorado mais identificado com o bolsonarismo raiz.

Nenhuma definição foi tomada durante a reunião. Segundo interlocutores, o tema deverá ser retomado após a agenda de Flávio em Curitiba, onde o senador participa nesta sexta-feira de compromissos políticos ao lado de Sergio Moro (PL) e Deltan Dallagnol (Novo). A expectativa é que uma nova conversa com Bolsonaro ocorra ainda neste fim de semana.

Além do Rio, os dois discutiram a situação de outros estados considerados estratégicos para o projeto presidencial do senador. Flávio atualizou o pai sobre negociações em andamento em locais onde a formação dos palanques ainda enfrenta obstáculos, entre eles Minas Gerais. Como noticiou o GLOBO, o PL ensaia lançar candidatura própria no estado e ofereceu a vaga de vice ao Republicanos.

Os dois também conversaram sobre uma lista de candidatos alinhados ao projeto político do grupo que Bolsonaro pretende divulgar nas próximas semanas como forma de demonstrar capilaridade nacional e reforçar a construção da candidatura do filho. A divulgação deve ocorrer assim que os principais impasses estaduais forem resolvidos, ainda no mês de junho.

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A lista é tratada por aliados como uma tentativa de demonstrar musculatura nacional para a candidatura de Flávio. O plano, porém, depende da resolução de negociações em estados considerados estratégicos para o projeto presidencial, entre eles Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Por atuar como advogado constituído do pai no processo que levou à prisão domiciliar, Flávio está autorizado a visitá-lo diariamente, inclusive aos fins de semana. Pelas regras estabelecidas pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do processo, os encontros podem ocorrer entre 8h20 e 18h, com duração máxima de 30 minutos.