BNDES suspende pagamentos de empréstimos de aeroporto Salgado Filho e rodovia no RS

O empréstimo tinha prazo de 20 anos e foi feito na modalidade project finance

Reuters

Aeroporto Salgado Filho alagado em Porto Alegre (07/05/2024 REUTERS/Wesley Santos)
Aeroporto Salgado Filho alagado em Porto Alegre (07/05/2024 REUTERS/Wesley Santos)

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O BNDES anunciou nesta quarta-feira (12) que suspendeu por 12 meses pagamentos de empréstimo de R$ 1,25 bilhão tomado pelo aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, que é administrado pela alemã Fraport.

Em 2018, o BNDES aprovou o financiamento à Fraport Brasil para ampliação e modernização do aeroporto, inundado durante as enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul no mês passado.

O empréstimo tinha prazo de 20 anos e foi feito na modalidade project finance, afirmou o BNDES, citando que o apoio do banco correspondeu a mais de 60% do R$ 1,6 bilhão investidos pela companhia no aeroporto.

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Nesta semana, a presidente da Fraport Brasil, Andreea Pal, afirmou que a companhia poderia anunciar devolução da concessão do Salgado Filho se o governo federal não apoiasse a companhia com recursos. “Se não recebermos dinheiro – e não quero ser negativa –, mas qual é nossa possibilidade? Devolvermos a concessão”, disse a executiva durante visita de parlamentares gaúchos ao aeroporto, que está sem operar desde a inundação.


Procurada na véspera, a Fraport Brasil não comentou o assunto. O Ministério de Portos e Aeroportos e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) não se pronunciaram.


Segundo o BNDES, a suspensão temporária do pagamento do empréstimo pela Fraport Brasil já poderá valer a partir da parcela deste mês. “Durante o período, não haverá cobrança de valores adicionais e o cliente não será considerado inadimplente financeiro. Também haverá a liberação de todo o saldo existente em conta reserva – separada para despesas com o empréstimo –, mas ela deve ser recomposta proporcionalmente pelos 12 meses subsequentes ao término do período, contado a partir da última parcela suspensa”.

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O BNDES também anunciou a suspensão de pagamento de dívida da concessionária Rodovia Rota de Santa Maria (RSC-287), que segundo o banco sofreu danos estruturais severos com as enchentes, sendo interditada em vários trechos.


O banco aprovou a alteração da data de vencimento, de dezembro de 2046 para dezembro de 2047, das debêntures emitidas pela concessionária Rota de Santa Maria. Em junho do ano passado, com subscrição de 100% pelo BNDES, foram captados R$ 250 milhões.

“O desafio é manter as empresas solventes e operacionais neste momento, com capacidade para cumprimento das obrigações de curto prazo, especialmente a manutenção dos empregos”, disse o superintendente da área de infraestrutura do BNDES, Felipe Borim, em comunicado à imprensa. “Concatenado à suspensão de pagamentos de serviço de dívida, anunciamos medidas de crédito para reconstrução e recomposição do capital de giro das empresas”.