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O avanço de Flávio Bolsonaro (PL) na corrida presidencial de 2026 ocorre com mudança no perfil de sua base eleitoral. A comparação entre fevereiro e março da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada nesta quarta-feira (25) indica que o senador ampliou apoio em segmentos que vão além do núcleo tradicional do bolsonarismo.
No agregado, Flávio passou de 37,9% para 40,1% das intenções de voto no primeiro turno. O movimento é consistente com a maior exposição de sua pré-candidatura, mas os dados mostram que o crescimento não ficou restrito ao eleitor já alinhado ao ex-presidente.
Entre jovens de 16 a 24 anos, o senador avançou de 29,4% para 37,1%. O salto sugere maior penetração em um grupo que costuma responder a fatores conjunturais e tende a ser menos fiel a candidaturas estabelecidas. Esse avanço reduz uma vantagem histórica do campo progressista nesse recorte.
Na faixa de 25 a 34 anos, Flávio sai de 40,5% para 41,8%, consolidando presença entre adultos jovens. Já entre 35 e 44 anos, a variação é menor, indicando que parte desse eleitorado já estava mais definida desde rodadas anteriores.

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O crescimento mais relevante ocorre na renda intermediária. Entre eleitores que recebem de R$ 5 mil a R$ 10 mil, Flávio sobe de 32,6% para 40,8%. O movimento sugere maior aderência em um segmento sensível a temas econômicos e percepção de desempenho do governo. Na faixa de R$ 3 mil a R$ 5 mil, também há avanço, de 41,1% para 42,8%.
Entre os mais pobres, o desempenho se mantém elevado. Flávio registra 46,1% entre quem ganha até R$ 2 mil, praticamente estável em relação a fevereiro, o que indica retenção de um eleitorado que passou a dividir espaço com Lula nos últimos meses.
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O recorte religioso reforça essa expansão. Entre evangélicos, o senador amplia vantagem, passando de 61,2% para 65,4%. Já entre católicos, cresce de 31,9% para 35,2%, reduzindo a distância em um grupo onde Lula ainda tem desempenho superior.
Regionalmente, o avanço ocorre em áreas decisivas. No Sudeste, Flávio sobe de 41,9% para 45,4%, região com maior peso eleitoral. No Nordeste, cresce de 31,8% para 34,2%, movimento que, embora insuficiente para liderar, indica redução de desvantagem em um dos principais redutos do PT.
A leitura dos dados sugere mudança qualitativa no crescimento do senador. Em vez de depender apenas da transferência direta de votos do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio passa a ganhar terreno em segmentos mais amplos, o que aumenta sua competitividade no segundo turno.
Esse padrão reduz o risco de estagnação da candidatura e cria pressão adicional sobre Lula, que mantém liderança no primeiro turno, mas enfrenta maior disputa em grupos onde historicamente tinha vantagem mais confortável.
O levantamento ouviu 5.028 pessoas entre os dias 18 e 23 de março, com margem de erro de um ponto percentual e nível de confiança de 95%.