AtlasIntel: Carlos Bolsonaro enfrenta rejeição e trava na disputa ao Senado em SC

Desempenho contrasta com força de Flávio no estado e expõe limites do bolsonarismo local

Marina Verenicz

Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente do Brasil Jair Bolsonaro, espera do lado de fora de um hospital enquanto seu pai chega para cirurgia de hérnia, cumprindo uma pena de 27 anos por conspirar contra seu sucessor, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília, Brasil, 24 de dezembro de 2025. REUTERS/Diego Herculano
Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente do Brasil Jair Bolsonaro, espera do lado de fora de um hospital enquanto seu pai chega para cirurgia de hérnia, cumprindo uma pena de 27 anos por conspirar contra seu sucessor, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília, Brasil, 24 de dezembro de 2025. REUTERS/Diego Herculano

Publicidade

A disputa pelo Senado em Santa Catarina expõe um descompasso dentro do próprio campo bolsonarista. Enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) lidera com ampla vantagem os cenários presidenciais no estado, o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) enfrenta resistência do eleitorado e aparece atrás na corrida local por uma das duas vagas ao Senado, segundo levantamento da AtlasIntel divulgado nesta quarta-feira (1º).

Na disputa, Carol De Toni (PL) lidera com 30,7% no consolidado dos votos. Na sequência, Esperidião Amin (PP) tem 20,1%, enquanto Carlos Bolsonaro aparece com 18,3%, tecnicamente empatado com Décio Lima, do PT, (13,4%), dentro da margem de erro de três pontos percentuais.

O dado mais relevante para a viabilidade de Carlos, no entanto, está fora da intenção de voto. Metade dos entrevistados, 50%, considera sua eventual candidatura ao Senado por Santa Catarina como oportunismo político e contrária aos interesses do estado. Apenas 25,6% veem a candidatura como a melhor opção, enquanto 20,6% classificam como legítima, mas questionável.

Rejeição limita crescimento

A avaliação negativa se reflete nos índices de rejeição. Carlos Bolsonaro registra 43,6%, uma das mais altas do levantamento, atrás apenas de Luiz Inácio Lula da Silva (65,1%), Décio Lima (52,3%) e Eduardo Leite (43,8%).

O desempenho contrasta com o ambiente político favorável ao bolsonarismo no estado. Em cenário presidencial, Flávio Bolsonaro lidera com 53,4% das intenções de voto no primeiro turno em Santa Catarina, contra 28,4% de Lula. Em eventual segundo turno, a vantagem se amplia para 59,4% a 31,1%.

A diferença sugere que a transferência de capital político dentro do grupo não é automática. Mesmo em um estado com forte rejeição ao governo federal — Lula tem aprovação de 24% e desaprovação de 71% —, o desempenho de Carlos não acompanha a força do sobrenome.

Continua depois da publicidade

Cenário adverso

Outro fator que pressiona a candidatura de Carlos Bolsonaro é a consolidação do campo aliado no estado. O governador Jorginho Mello (PL) aparece com 49% das intenções de voto e venceria todos os cenários de segundo turno testados.

Jorginho tem 59% de aprovação e 51% de avaliação positiva (ótimo ou bom). Além disso, 53,8% dos eleitores afirmam que ele merece reeleição. A percepção de que o estado está no caminho certo chega a 64%.

Nesse contexto, Carol De Toni surge como principal beneficiária do eleitorado alinhado ao governador e ao bolsonarismo, concentrando votos e apresentando o melhor índice de imagem da pesquisa, com saldo positivo de 37 pontos percentuais.

Disputa interna reduz espaço

A combinação entre rejeição elevada, percepção de candidatura externa ao estado e fragmentação do campo de direita reduz o espaço competitivo de Carlos Bolsonaro. A presença de outros nomes viáveis dentro do próprio espectro ideológico, como Carol De Toni e Esperidião Amin, dificulta a consolidação de uma candidatura única.

O resultado é um cenário em que o bolsonarismo mantém força eleitoral em Santa Catarina, mas não de forma homogênea entre seus principais nomes. A disputa pelo Senado evidencia que a marca política pode não ser suficiente para garantir competitividade em eleições locais.

A pesquisa ouviu 1.280 eleitores entre os dias 25 e 30 de março de 2026, com margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob os números SC-05257/2026 e BR-01666/2026.

Continua depois da publicidade