AtlasIntel: 38,6% veem vídeo de Michelle como movimento para disputar a Presidência

Pesquisa mostra que ruptura pública dividiu o bolsonarismo, mas eleitorado de Jair segue majoritariamente ao lado do senador na disputa interna

Marina Verenicz

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A disputa pública entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) já produz efeitos na percepção do eleitorado. Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta quinta-feira (3) indica que a maioria dos entrevistados interpreta o vídeo publicado por Michelle como um movimento com objetivos políticos e avalia que o episódio enfraquece a candidatura presidencial de Flávio.

Segundo o levantamento, 37,8% dos eleitores afirmam que o conflito prejudica muito a pré-candidatura do senador. Outros 26,3% dizem que o desgaste enfraquece um pouco sua campanha. Apenas 22,4% entendem que a crise não produz impacto eleitoral, enquanto 7,1% acreditam que ela fortalece muito Flávio.

A pesquisa também investigou como os eleitores interpretam a decisão de Michelle de tornar pública a divergência com o enteado. Para 38,6% dos entrevistados, a divulgação do vídeo teve como principal objetivo abrir espaço para que a ex-primeira-dama se torne candidata à Presidência no lugar de Flávio.

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Outros 28,5% enxergam a manifestação como consequência de divergências políticas e pessoais, enquanto 22,3% entendem que Michelle buscava ampliar seu poder político dentro do PL.

O levantamento foi realizado após a crise desencadeada pela divulgação de um vídeo em que Michelle afirmou ter sido desrespeitada por Flávio durante as negociações para a formação dos palanques estaduais. O estopim do conflito foi o apoio do senador à candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do Ceará, posição criticada pela ex-primeira-dama, que defendia outro nome alinhado ao grupo mais ideológico do bolsonarismo.

Base de Bolsonaro fecha fileiras com Flávio

Embora a crise tenha provocado desgaste junto ao eleitorado em geral, os dados mostram que a base bolsonarista continua majoritariamente alinhada ao senador. Entre os eleitores que votaram em Jair Bolsonaro em 2022, 65,5% desaprovam a decisão de Michelle de publicar o vídeo criticando Flávio. Apenas 26,5% afirmam concordar com a atitude da ex-primeira-dama.

Quando perguntados sobre quem tem razão na disputa, 43,2% dos bolsonaristas dizem concordar com a posição de Flávio. Michelle reúne 17,3% nesse grupo.

A pesquisa também mostra que 53,8% dos eleitores de Jair Bolsonaro apoiam a decisão do senador de defender a candidatura de Ciro Gomes ao governo do Ceará, ponto que deu origem ao conflito.

Outro dado reforça a resistência da base às acusações feitas por Michelle. Entre os eleitores de Bolsonaro, 54,6% afirmam não acreditar nas declarações da ex-primeira-dama. No eleitorado geral ocorre o inverso: 59,6% dizem acreditar nas acusações.

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Lealdade a Jair Bolsonaro

A AtlasIntel também mediu como o eleitorado percebe a fidelidade das principais lideranças da direita ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Na avaliação geral, Flávio aparece como o nome mais identificado com as orientações políticas do pai. Para 38,3% dos entrevistados, ele é o filho ou aliado mais fiel ao ex-presidente. Michelle é citada por 15,5%, enquanto 30,9% afirmam que ambos demonstram o mesmo grau de lealdade.

Entre os eleitores de Jair Bolsonaro, a percepção é ainda mais favorável ao senador. Para 79%, Flávio é totalmente leal ao ex-presidente. Eduardo Bolsonaro aparece em seguida, com 72%, seguido por Nikolas Ferreira (67%), Tarcísio de Freitas (58%) e Michelle Bolsonaro (54%).

Apesar desse cenário, a pesquisa indica que a presença da ex-primeira-dama continua sendo considerada relevante para a campanha presidencial do PL. Para 28,9% dos entrevistados, seu apoio é muito importante para Flávio. Outros 26,5% classificam essa participação como importante e 16,3% como pouco importante. Apenas 11,7% dizem que a atuação de Michelle não tem importância.

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Os resultados ajudam a explicar o esforço da campanha de Flávio para recompor a relação com a ex-primeira-dama. A pesquisa AtlasIntel divulgada na quarta-feira mostrou que o senador perdeu apoio justamente entre mulheres e evangélicos, dois segmentos nos quais Michelle consolidou influência desde que assumiu a presidência do PL Mulher.

A AtlasIntel entrevistou 4.999 eleitores entre os dias 26 e 30 de junho. A margem de erro é de um ponto percentual, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04582/2026.