As quatro frentes do plano de combate ao crime organizado lançado pelo governo Lula

Programa lançado nesta terça-feira (12) visa reforçar pauta da segurança pública, tema considerado sensível ao governo em ano de eleição

Caio César

Presidente da Republica Luiz Inacio Lula da Silva durante Reunião Ministerial, realizada no Palácio do Planalto. Foto: Ricardo Stuckert / PR
Presidente da Republica Luiz Inacio Lula da Silva durante Reunião Ministerial, realizada no Palácio do Planalto. Foto: Ricardo Stuckert / PR

Publicidade

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lança, nesta terça-feira (12), o Programa Brasil Contra o Crime Organizado. O plano, orçado em R$ 11,1 bilhões, foca no asfixiamento econômico das facções a partir de quatro eixos de ações.

A implementação do plano dependerá também da adesão dos governos estaduais. Os que toparem a iniciativa terão acesso a recursos de fundos federais e do programa para financiar o combate ao crime organizado em sua região.

A proposta faz parte do plano do governo federal de reforçar a pauta da segurança pública há menos de cinco meses das eleições. Conforme a Secretaria de Comunicação Social da Presidência, o programa foi elaborado após articulações feitas com os governos dos estados, além de especialistas e forças de segurança pública.

Os quatro eixos

O programa será estruturado em quatro eixos centrais: a asfixia financeira das organizações criminosas; o fortalecimento do sistema prisional; a qualificação das investigações; e o combate ao tráfico de armas.

Asfixia financeira

A ideia do governo será identificar e inutilizar estruturas como empresas, fundos e cadeias logísticas utilizadas pelas facções criminosas para lavar e distribuir o dinheiro oriundo das atividades ilícitas. Para isso, serão feitos investimentos nos serviços de inteligência do poder público, como a compra de equipamentos e o aperfeiçoamento da estrutura do Comitê Integrado de Investigação Financeira e Recuperação de Ativos (Cifra), iniciativa conjunta do governo federal e dos estados brasileiros destinada a desarticular financeiramente grupos criminosos.

Reforço do sistema prisional

A proposta implementa em presídios estaduais o mesmo padrão de segurança exigido em unidades de segurança federais, com bloqueadores de sinal de celular e equipamentos mais modernos de raio X e de revista. Também será criado um centro nacional de inteligência para coordenar ações integradas entre a União e os estados dentro das penitenciárias.

Continua depois da publicidade

Qualificação das investigações

Será proposta a padronização dos registros de homicídios, com o compartilhamento de bases de dados e o fortalecimento das polícias científicas nos estados para ampliar a taxa de resolução dos casos.

Combate ao tráfico de armas

Nesta etapa, o governo Lula espera ter a colaboração do governo dos Estados Unidos para monitorar e coibir o contrabando de armas, que em grande maioria vem dos Estados Unidos.

Outro ponto será a ampliação e continuidade da Rede Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Armas, o Renarme, que reúne os ministérios da Justiça, da Defesa e da Fazenda em ações conjuntas para sufocar o acesso de facções e milícias ao tráfico de armas.