Arma apreendida e novo depoimento colocam futuro da domiciliar de Bolsonaro em debate

STF cobra explicações da defesa sobre condições do benefício concedido por razões de saúde; prazo inicial da medida termina nesta semana

Marina Verenicz

O ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro chega em casa para começar a cumprir prisão domiciliar, após autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, depois de ter sido condenado pela maioria dos ministros da Corte por tramar um golpe para permanecer no poder após perder a eleição de 2022, em Brasília, Brasil, em 27 de março de 2026. REUTERS/Adriano Machado
O ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro chega em casa para começar a cumprir prisão domiciliar, após autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, depois de ter sido condenado pela maioria dos ministros da Corte por tramar um golpe para permanecer no poder após perder a eleição de 2022, em Brasília, Brasil, em 27 de março de 2026. REUTERS/Adriano Machado

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A poucos dias do fim do prazo inicial da prisão domiciliar humanitária concedida a Jair Bolsonaro (PL), um novo episódio passou a ocupar o centro das discussões no Supremo Tribunal Federal (STF). A apreensão de uma pistola registrada em nome do ex-presidente levou o ministro Alexandre de Moraes a solicitar esclarecimentos adicionais da defesa e autorizou novas diligências da Polícia Civil do Distrito Federal.

A arma estava com um militar ligado à equipe de segurança de Bolsonaro durante uma abordagem policial. Segundo a versão apresentada no momento da ocorrência, o armamento estava sendo levado para manutenção por apresentar defeito mecânico.

O benefício foi concedido em março, após Bolsonaro permanecer internado para tratamento de broncopneumonia. A medida, classificada como prisão domiciliar humanitária, tem duração prevista de 90 dias e vence na próxima quarta-feira (24).

Na sexta-feira (19), Moraes determinou que Bolsonaro seja ouvido pela Polícia Civil do Distrito Federal sobre o caso. O depoimento foi marcado para terça-feira (23), às 15h, e deverá ocorrer presencialmente na residência onde o ex-presidente cumpre a prisão domiciliar, em Brasília.

Ao justificar a decisão, o ministro observou que Bolsonaro está submetido a restrições relacionadas ao uso de meios eletrônicos de comunicação, razão pela qual descartou a possibilidade de depoimento por videoconferência. No mesmo despacho, Moraes estabeleceu prazo de 48 horas para que os advogados do ex-presidente prestem informações complementares sobre o cumprimento da medida.

Entre os esclarecimentos solicitados estão detalhes sobre a assistência médica noturna e a rotina da equipe de segurança oficial disponibilizada ao ex-presidente em razão de sua condição de ex-chefe do Executivo. A defesa deverá informar se existe profissional de saúde responsável pelo acompanhamento durante a noite e confirmar se os agentes de segurança deixam a residência diariamente nesse período.

Em petição protocolada no STF também na sexta-feira, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do governo na Câmara, pediu a revogação da prisão domiciliar e o retorno de Bolsonaro ao sistema prisional. O parlamentar sustenta que os fatos recentes exigem reavaliação das condições do benefício.

Os advogados do ex-presidente confirmaram ao Supremo que a pistola apreendida pertence a Bolsonaro e está regularmente registrada em seu nome. Segundo a defesa, o armamento havia sido entregue a um integrante da segurança exclusivamente para identificação do defeito e realização de reparos.

Os defensores acrescentaram que assessores retiraram previamente o percussor da arma — peça indispensável para o disparo — sem o conhecimento de Bolsonaro. De acordo com a manifestação, a decisão foi tomada por integrantes da equipe em razão do uso de medicamentos psiquiátricos que poderiam comprometer a cognição do ex-presidente e aumentar riscos de acidente doméstico.

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A definição sobre eventual prorrogação da prisão domiciliar deverá ocorrer nos próximos dias, em meio à análise das explicações solicitadas pelo STF e ao avanço das apurações sobre a arma apreendida.