Após resistência em 2022, Janja muda postura e busca aproximação com evangélicos

Apesar do esforço, posicionamentos da primeira-dama, como sua defesa da aprovação do projeto de lei que criminaliza a misoginia, ainda são empecilhos

Agência O Globo

A primeira dama do Brasil, Janja Lula da Silva, durante entrevista para a EBC, no Palácio da Alvorada. (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)
A primeira dama do Brasil, Janja Lula da Silva, durante entrevista para a EBC, no Palácio da Alvorada. (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

Publicidade

Resistente ao longo de toda a corrida eleitoral de 2022 a gestos do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva em direção aos evangélicos, a primeira-dama Janja da Silva mudou de postura na disputa atual e tem dialogado com segmentos religiosos. Ela planeja, inclusive, para as próximas semanas, quando a campanha já estiver começado oficialmente, uma “grande reunião” com eles em São Paulo. A nova posição em relação ao grupo chama a atenção de aliados do presidente.

Mas, apesar do esforço, posicionamentos de Janja, como a sua defesa da aprovação do projeto de lei que criminaliza a misoginia, ainda são empecilhos em sua tentativa de criar conexões com os evangélicos.

Leia também: Janja: críticas por gastos são ‘misoginia’ e sou única primeira-dama que trabalha

Na disputa de quatro anos atrás, Janja foi apontada como uma das principais responsáveis por Lula ter resistido ao máximo a lançar uma carta voltada ao segmento. A apresentação de um documento em que era assumido compromisso com a liberdade de culto e religião era defendida por toda a cúpula da campanha, mas o então candidato protelou ao máximo e só o apresentou dez dias antes do segundo turno.

Lula cedeu após conversa com a senadora Eliziane Gama (PT-MA), que é evangélica e na época estava no PSD. Apesar de ter acompanhado o marido na maioria dos eventos da campanha de 2022, Janja não compareceu ao ato de lançamento da carta aos evangélicos, num hotel de São Paulo.

 Viagens para reuniões

 Lideranças petistas presentes nas duas campanhas dizem que é nítido que Janja mudou de postura em relação aos evangélicos. Indagada por meio de sua assessoria sobre a sua motivação para abrir diálogo com o grupo, a primeira-dama não respondeu.

 Ao longo de 2025, Janja já havia feito uma série de viagens pelo país para encontros com evangélicas. Nas reuniões, ela chegou a cantar a música “Deus cuida de mim”, composta e interpretada pelo cantor Kleber Lucas. Em junho deste ano, a primeira-dama esteve no encontro Nacional do Núcleo Evangélico do PT, em Brasília. Em sua fala, disse que “a gente precisa ir para dentro das igrejas e conversar com as nossas irmãs”. Ao usar termo típico dos evangélicos, Janja se justificou.

 “Eu já estou falando ‘nossas irmãs’ porque eu me sinto um pouquinho. O pessoal fica falando: “Ela não é evangélica”, mas eu acredito em Deus e é isso que importa. Eu acredito em Cristo”, disse Janja, que se emocionou ao citar a música ‘Deus cuida de mim’. “Quando escuto o Kleber cantando… Quando eu falo até me emociono, porque o Espírito Santo precisa tocar o nosso coração aonde quer que a gente esteja. Deus está em qualquer lugar.”

Janja contou no encontro do PT que procurou as mulheres evangélicas porque o seu “coração estava mandando” e falou que não seria representante da esquerda no diálogo.

Continua depois da publicidade

Pesquisa da Genial/Quaest mostra melhora da intenção de voto em Lula entre os evangélicos, apesar de Flávio Bolsonaro (PL) ter maior vantagem. Ele soma 53% das intenções de voto contra 31% do petista. Em maio, a vantagem era de 61% a 24%.

Mas o esforço de Janja para se conectar aos evangélicos pode ser abalado. Em entrevista à Folha de São Paulo e ao UOL, classificou críticas que a qualificam como “gastadeira” em suas viagens ao exterior como misoginia. A Câmara discute projeto de lei, defendido por ela, que criminaliza a misoginia. A bancada evangélica pede mudanças no texto, sob alegação que pode ferir a liberdade religiosa.