Após adiamento do caso Moraes, julgamento de Mendonça no STF vira dúvida

Fachin avalia se mantém sessão do dia 23 após pedido de vista de Dino interromper discussão sobre análise conjunta dos dois casos

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O julgamento de André Mendonça, marcado para a próxima quarta-feira (23), entrou em uma zona de incerteza depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou sem decisão a sessão que analisava o caso de Alexandre de Moraes. O presidente da Corte, Edson Fachin, avalia se há condições de manter a análise na data prevista.

A dúvida surgiu porque o plenário não conseguiu decidir uma questão anterior: se as acusações envolvendo Moraes e Mendonça devem ser examinadas separadamente. Flávio Dino pediu vista justamente durante a votação desse ponto e interrompeu o julgamento por até 90 dias.

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O caso previsto para o dia 23 trata de questionamentos sobre a atuação de Mendonça na condução das investigações relacionadas ao Banco Master, incluindo um pedido para apurar possível abuso de autoridade. A tendência entre interlocutores da Corte é de adiamento, mas uma decisão cabe a Fachin.

Julgamentos se cruzaram

A sessão de terça-feira (15) havia sido convocada para discutir o relatório da Polícia Federal que identificou Alexandre de Moraes como interlocutor de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Antes de o STF chegar ao mérito sobre uma eventual investigação do ministro, Gilmar Mendes apresentou uma questão de ordem.

Gilmar defendeu o adiamento do caso de Moraes e sua análise conjunta com o procedimento sobre Mendonça no dia 23. Também propôs uma nova distribuição da relatoria.

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A votação terminou provisoriamente em 4 a 3 pela manutenção dos processos separados. Fachin, Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia rejeitaram a unificação. Gilmar, Moraes e Cristiano Zanin votaram pela reunião. Dino havia acompanhado esse segundo grupo, mas pediu que seu voto não fosse computado após solicitar vista.

Com isso, o Supremo deixou sem resposta uma questão que interfere diretamente na sessão seguinte: se o processo de Mendonça pode avançar enquanto a Corte ainda não definiu se ele deve tramitar junto ao caso Moraes.

Bate-boca precedeu pedido de vista

Dino pediu vista após uma discussão entre Gilmar Mendes e André Mendonça elevar a tensão no plenário. O confronto ocorreu quando Mendonça comentava as referências ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, encontradas no material da PF sobre Vorcaro.

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Mendonça afirmou não identificar, no conteúdo conhecido, elementos suficientes para atribuir uma atuação irregular a Gonet. Gilmar reagiu em defesa do procurador-geral e acusou o colega de fazer ilações.

“É impressionante, presidente, que uma pessoa da estatura do Paulo Gonet sofra esse tipo de ilação. Isto sim é leviandade”, afirmou Gilmar.

A discussão avançou para ataques pessoais. “É impressionante a desfaçatez desse sujeito”, disse Gilmar. Mendonça respondeu: “Me respeite”. Em outro momento, afirmou: “Aqui não tem choro, não. Respeite”. O embate levou Dino a pedir mais tempo para examinar o processo.

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O confronto foi o ponto mais tenso de uma sessão que já acumulava divergências entre os integrantes do Supremo. Cármen Lúcia afirmou, perto do encerramento, que a Corte havia gerado “intranquilidade” e lamentou o ambiente criado pelo julgamento.

Acusação de interferência eleitoral

Gilmar também acusou Mendonça de conduzir o caso envolvendo Moraes com objetivo político e de produzir efeitos sobre a eleição presidencial, disputada por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e outros candidatos.

“O interesse é evidente, acachapante. Evidente que se trata de um pixuleco, de um boneco eleitoral, é disso que estamos falando”, disse o decano. Mendonça rejeitou as acusações durante a sessão.

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O pano de fundo é a investigação sobre o Banco Master. Mendonça determinou à PF a produção de informações que acabaram revelando contatos entre Vorcaro e Moraes. A forma como esse material foi obtido e levado ao STF tornou-se objeto de contestação e está entre os pontos que dividem os ministros.

Moraes, por sua vez, acusa Mendonça de abuso de autoridade e afirma que o colega tentou direcionar a atuação da Polícia Federal contra ele. Mendonça nega irregularidades.

Fachin terá de definir calendário

O pedido de vista de Dino não cancelou automaticamente o julgamento previsto para o dia 23. A sessão permanece sujeita a uma decisão de Fachin sobre a pauta.

Se o processo de Mendonça for analisado na próxima quarta-feira, o STF avançará sobre um dos casos enquanto permanece suspensa a discussão sobre reuni-lo ao procedimento de Moraes. Caso Fachin retire o julgamento da pauta, a Corte poderá aguardar Dino devolver o processo e resolver primeiro a questão sobre a tramitação conjunta.

Pelas regras do STF, Dino dispõe de até 90 dias para devolver o caso, embora possa fazê-lo antes. Até lá, permanece inconclusiva a votação sobre a unificação: 4 a 3 pela análise separada.

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Marina Verenicz
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