Apoio ao fim da escala 6×1 recua, mas maioria segue favorável, diz Quaest

Debate sobre redução da jornada mantém respaldo amplo, embora apoio tenha perdido força entre eleitores de Lula e Bolsonaro

Marina Verenicz

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A discussão sobre o fim da escala 6×1 continua mobilizando parte relevante do eleitorado brasileiro e pode ultrapassar fronteiras ideológicas. Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta segunda-feira (18) mostra que a maioria da população ainda apoia a proposta em debate no Congresso, mas o nível de adesão caiu desde o fim do ano passado.

Segundo o levantamento, 68% dos entrevistados se declararam favoráveis à proposta que reduz a jornada semanal de trabalho. Em dezembro, esse percentual era de 72%.

O movimento de queda ocorreu em diferentes grupos políticos, inclusive entre eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Entre os lulistas, o apoio recuou de 92% para 76%. Já entre os bolsonaristas, a adesão caiu de 57% para 44%.

Apesar disso, a proposta continua encontrando respaldo expressivo na sociedade e mantém apoio majoritário entre segmentos de centro e direita não alinhados diretamente ao bolsonarismo. Nesse grupo, o percentual favorável passou de 52% para 55% desde dezembro.

A pesquisa também mostra que o tema ganhou espaço no debate público nos últimos meses. Ao todo, 43% dos entrevistados disseram acompanhar de perto as discussões sobre a proposta no Congresso. Outros 29% afirmaram ter ouvido falar do tema, mas sem acompanhar diretamente a tramitação. Apenas 27% disseram não acompanhar o debate.

O nível de atenção é semelhante entre os principais polos políticos do país. Entre os eleitores de Lula em 2022, 43% afirmaram acompanhar a proposta de perto. Entre os que votaram em Bolsonaro, o percentual sobe ligeiramente para 45%.

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O levantamento sugere que a discussão sobre jornada de trabalho deixou de ser um tema restrito a sindicatos ou categorias específicas e passou a ocupar espaço mais amplo no debate eleitoral e econômico.

O apoio à medida, porém, diminui quando os entrevistados são confrontados com a possibilidade de redução salarial. Nesse cenário, 56% afirmam continuar favoráveis à mudança, enquanto 39% passam a rejeitar a proposta.

O governo Lula tem tentado neutralizar esse receio e sustenta publicamente que a redução de salários não faz parte das negociações em torno do projeto.

A pauta ganhou força política nos últimos meses e passou a integrar a estratégia eleitoral do governo para 2026, especialmente em segmentos de renda mais baixa e trabalhadores urbanos.

O levantamento da Quaest ouviu 2.004 pessoas entre os dias 8 e 11 de maio. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-03598/2026.