Ao se filiar ao PL, Moro questiona legitimidade de eleição de Lula em 2022

Senador critica governo, reforça discurso bolsonarista e mira disputa estadual

Marina Verenicz

Sergio Moro, ex-juiz da Lava Jato, ex-ministro da Justiça e atual senador pelo União Brasil do Paraná (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)
Sergio Moro, ex-juiz da Lava Jato, ex-ministro da Justiça e atual senador pelo União Brasil do Paraná (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)

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O senador Sérgio Moro (PL-PR) colocou em dúvida o resultado das eleições presidenciais de 2022 ao lançar sua pré-candidatura ao governo do Paraná, nesta terça-feira (24). Durante o discurso, o ex-juiz afirmou que “Lula foi eleito entre aspas aqui no Brasil” e acusou o presidente de “minimizar o crime”.

A declaração marcou o tom político do evento, que oficializou sua filiação ao PL e evidenciou um alinhamento mais direto com o campo bolsonarista em um momento de reorganização das forças de direita para 2026.

O ato contou com a presença do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, além do presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, e do líder da oposição no Congresso, Rogério Marinho (PL-RN).

Ao longo da fala, Moro ampliou os ataques ao governo Lula, com foco na política econômica e no ambiente de negócios. Segundo ele, o país enfrenta um cenário adverso para a iniciativa privada. “A economia está desorganizada, é tributo, é imposto, é taxa sufocando a iniciativa privada e sabotando o nosso desenvolvimento”, afirmou.

O senador também associou o governo a um aumento de irregularidades. “A roubalheira voltou em escala inimaginável. Roubaram até os aposentados e pensionistas”, disse.

Disputa estadual

A candidatura de Moro ao governo do Paraná reposiciona o PL no estado e ajuda a estruturar palanque para Flávio Bolsonaro na corrida presidencial. O movimento ocorre em meio à busca do partido por ampliar sua presença regional e consolidar apoios fora de seus redutos tradicionais.

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Durante o evento, Moro também fez referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro e defendeu a concessão de prisão domiciliar. “Há 4 anos eu ia com seu pai aos debates presidenciais. Eu acreditava que nós precisávamos derrotar Lula, sabia que se o Lula ganhasse ia descer uma sombra sobre o país e essa sombra foi pior do que eu imaginava”, afirmou.