Análise: desgaste do caso Master pode acompanhar Flávio até a eleição de 2026

Analistas ouvidos pelo InfoMoney avaliam queda de Flávio nas pesquisas e possível impacto após envolvimento do senador com Donald Trump

Caio César

Daniel Vorcaro - (Foto: Reprodução/Esfera Brasil)/ Flávio Bolsonaro (Foto: Andressa Anholete/Agência Senado)
Daniel Vorcaro - (Foto: Reprodução/Esfera Brasil)/ Flávio Bolsonaro (Foto: Andressa Anholete/Agência Senado)

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A rodada de pesquisas de maio revelou uma deterioração significativa na pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, que acendeu um alerta para a equipe do senador de que, caso não haja uma resposta efetiva, a crise envolvendo Daniel Vorcaro pode custar a eleição em outubro.

Segundo a última pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada em 19 de maio, Flávio caiu seis pontos percentuais nas intenções de voto para o segundo turno e detém 41,8%, contra 48,9% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O cenário de queda é reforçado pelas pesquisas Datafolha e Meio/Ideia, que respectivamente representaram uma queda de 4 e 3 pontos percentuais em relação aos levantamentos realizados em abril.

Especialistas ouvidos pelo InfoMoney analisam os possíveis cenários para uma recuperação nas pesquisas e se haverá um aprofundamento do impacto trazido pelo Caso Master a quatro meses da eleição.

Para o cientista político Leopoldo Vieira, um possível prolongamento do envolvimento entre Flávio e Vorcaro ou novas revelações sobre o caso na mídia podem ser fatores determinantes para as eleições de 2026.

“Lula avançou mais do que se calculava na disputa pela bandeira anticorrupção. E, a depender de quanto a crise envolvendo o clã Bolsonaro e o Master se prolongue, coincidindo com a proximidade da campanha, tende a se tornar um fator decisivo para uma derrota de Flávio, justamente por atingir o núcleo do sentimento antissistema e da disputa por essa bandeira”, destaca.

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Vieira reforça que o vazamento do áudio entre o senador e o ex-banqueiro atingiu “o coração” da campanha de oposição ao aproximá-la de uma das maiores fraudes financeiras da história do país, o que representa um risco reputacional relevante, principalmente para os eleitores de classe média e os chamados “indecisos”.

“O impacto pode ser limitado pela dinâmica da polarização e dentro do bolsonarismo fiel, mas já produz danos entre públicos decisivos para uma disputa apertada”, analisa.

Para o professor de pós-graduação na FESPSP e cientista político Paulo Souza, a proximidade com a data das eleições e o início do período eleitoral podem favorecer ainda mais Lula e ampliar o desafio para Flávio reconquistar o eleitorado.

“Historicamente, há uma tendência de melhora de desempenho do atual presidente nas pesquisas quando se inicia o período eleitoral. Jair Bolsonaro ainda é o único presidente não reeleito no Brasil e, mesmo assim, conseguiu minar a vantagem de Lula e perder por pouco mais de 1% dos votos válidos”, avalia.

Com o curto prazo para reparar a imagem, Flávio apostou em uma jogada arriscada de viajar aos Estados Unidos para reafirmar publicamente seus laços com o presidente norte-americano Donald Trump e dobrar a aposta na pauta de segurança pública ao pedir aos EUA que classificassem o PCC e o CV como facções terroristas, solicitação prontamente atendida.

Na visão de Souza, a tentativa de Flávio pode reforçar o engajamento do eleitorado bolsonarista, mas a atitude pode produzir um efeito contrário ao senador entre o eleitor indeciso, que tende a considerar a subordinação e tentativas de interferência externa por parte dos EUA como algo negativo.

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Vieira reforça que a tentativa de utilizar Trump como uma figura para pressionar o governo brasileiro em assuntos internos já se mostrou infrutífera e, no passado, abriu vantagem para o petista.

“É preciso avaliar o que as próximas pesquisas dirão, mas já se viu no tarifaço que as articulações do clã Bolsonaro com os EUA em torno de medidas prejudiciais ao Brasil tendem a fortalecer Lula e seu domínio da bandeira nacional”, avalia. “A foto de Flávio e Trump pode ser lida pelo eleitorado como um esforço de alinhamento subalterno aos EUA.”

No entanto, Vieira destaca que a ida de Flávio aos Estados Unidos também mandou um recado discreto ao mercado financeiro e aos empresários ao aumentar o risco para essas instituições, que, com a medida de Trump, podem ficar mais expostas ao escrutínio e às sanções americanas.

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“Ele sinalizou a investidores e empresários que exige alinhamento eleitoral com sua candidatura, sob pena de prováveis consequências negativas”, analisa.

Eleitor indeciso

Os analistas ouvidos pelo InfoMoney também convergem no entendimento de que a maioria dos votos perdidos por Flávio nesta rodada de pesquisas deve permanecer em “standby” e aguardar os próximos capítulos do Caso Master, em vez de migrar diretamente para candidaturas vistas como uma oposição tanto a Flávio quanto a Lula.

Souza explica que a reticência do eleitorado em declarar um novo voto pode ser explicada pelo cenário reforçado de polarização e uma certeza muito alta de voto nas bases fiéis de ambos os candidatos, o que asfixia a viabilidade de novos nomes na disputa.

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“O eleitor ‘independente’ ou ‘indeciso’ é mais pragmático e flutuante, mas, para que ele migre para outra candidatura, é necessário haver uma combinação entre sinais de derretimento da candidatura de Flávio e a emergência de um underdog no campo da direita”, destaca.

“Os outros candidatos não vão conseguir melhorar o desempenho sem esse derretimento e, dado o alto percentual de eleitores que afirmaram o voto, o embate do 2º turno já está estabelecido antes mesmo de votarmos o 1º”, avalia.

O cenário posto reforça que, apesar de abalada, a força do bolsonarismo ainda bloqueia o surgimento de uma alternativa competitiva capaz de chegar ao segundo turno.

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Apesar disso, a mais recente pesquisa Real Time Big Data, divulgada nesta segunda-feira (1º), mostra que Lula mantém vantagem sobre todos os adversários da direita em uma primeira rodada, mas não consegue mais abrir distância para os governadores Ronaldo Caiado (PSD-GO) e Romeu Zema (Novo-MG) em um eventual 2º turno.

Com o aprofundamento da crise, o cenário mais favorável para Lula tornou-se em uma disputa contra Flávio, com 45% dos votos ante 40% do adversário. Já contra Caiado, o petista e o pré-candidato do PSD aparecem com 43% cada, configurando empate técnico. Situação semelhante ocorre na disputa contra o governador mineiro. Lula alcança 43%, enquanto Zema registra 40%.