Agosto: será que o Ibovespa vai repetir o bom desempenho de julho?

Analistas da Fator acreditam que a resposta está na crise política, que se configura como o único possível entrave para o mercado

SÃO PAULO –

A Fator Corretora divulgou na última terça-feira seu relatório mensal comentando as perspectivas para agosto. Por conta da grande incerteza com o desenrolar do entrave político, os analistas mantiveram uma posição mais conservadora, permanecendo com as sugestões defensivas.

A corretora aproveitou para comentar os principais destaques de julho. Depois de dois meses de alta volatilidade e fraco desempenho da bolsa brasileira, os principais índices apresentaram resultado positivo no mês passado: Ibovespa com ganhos de 3,96% e IBrX-50 com valorização de 5,02%.

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Para o mês de agosto, a principal fonte de atenção continua sendo o cenário político doméstico. Os analistas afirmaram que, do lado econômico internacional e local, pouca coisa muda em relação às análises do mês anterior. O relatório levanta duas grandes questões para poder prever o que acontecerá no futuro próximo: se a crise já atingiu seu ápice e qual seria a solução provável.

Inflação deve aumentar em agosto

A Fator acredita que a inflação deve se acelerar um pouco em agosto, refletindo maiores pressões sobre alguns preços administrados e o fim da deflação nos preços dos alimentos. A projeção para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) do mês está atualmente em 0,35%, contra uma expectativa de 0,3% para o IPCA fechado de julho, que ainda não foi divulgado.

No entanto, para o segundo semestre como um todo, o cenário para a inflação continua relativamente benigno, na visão da corretora. A expectativa para o índice de 2005 encontra-se atualmente em 5,62%, acima do objetivo de 5,1% perseguido pelo Banco Central, mas abaixo do “teto” da meta de inflação (7%).

Manutenção da Selic em agosto

Do ponto de vista das perspectivas para a inflação, a corretora entende que a Selic poderia cair já no mês de agosto. Além disso, como estima-se que o impacto total da alta dos juros sobre a demanda só ocorra de seis a nove meses após a decisão de se alterar a política monetária, o país estaria sentindo apenas os primeiros efeitos do aperto monetário iniciado em setembro de 2004.

Desse modo, a corretora aponta a possibilidade de cortes na Selic na reunião do
Copom (Comitê de Politica Monetária) de agosto. Existem condições técnicas para que a taxa básica de juros recue 25 pontos base nesse mês.

Por outro lado, com o temor de que a crise política contamine o mercado financeiro, os analistas consideram mais factível que o comitê mantenha a Selic em seu patamar atual.

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Câmbio deve oscilar em torno de R$ 2,4

Com relação ao mercado cambial, a expectativa da Fator é de que o dólar permaneça oscilando ao redor de R$ 2,40. Por um lado, o grande diferencial de juros entre o Brasil e os EUA e os bons resultados da balança comercial parecem sugerir a possibilidade de novas valorizações no curto prazo. Mas, por outro lado, os analistas consideram que o mercado tem subestimado de forma importante os riscos embutidos na atual crise.

Dessa forma, a opinião é de que os riscos do mercado de câmbio continuam assimétricos: a valorização do real, se houver, tende a ser modesta, enquanto a desvalorização, se ocorrer, pode ter uma amplitude e velocidade muito maior.

Os analistas acreditam em uma tendência de desvalorização cambial moderada no segundo semestre de 2005 e a projeção para o fim do ano está ao redor de R$ 2,65.

Cenário internacional

No cenário internacional, o relatório aponta que três temas seguirão dando o tom dos mercados: China, petróleo e taxa de juros nos EUA.

Em relação à China, os analistas comentaram a recente alteração de seu regime cambial, quando o governo daquele país trocou seu regime de câmbio fixo em relação ao dólar por um que se pauta por uma cesta de moedas, cujos pesos não foram divulgados.

A Fator entende que a alteração é um passo no sentido correto e deve colaborar para reduzir, ainda que marginalmente, os desequilíbrios globais. Por outro lado, a corretora lembra que a mudança embute riscos para a economia mundial. O próprio crescimento da China pode ser abalado e pode cair a demanda por ativos em dólares por parte do banco central chinês. Sendo assim, é provável que as taxas de juros de médio e longo prazo nos EUA subam, na visão da corretora.

Com relação ao petróleo, os analistas afirmaram que o comportamento dos preços observado em julho não surpreendeu e que o mercado da commodity continua incerto. De qualquer forma, a corretora acredita que, caso o preço do petróleo continue em alta, os riscos para a economia mundial tendem a ser limitados.

Os analistas ressaltaram que o principal risco no cenário externo parece ser uma elevação mais forte das taxas de juros nos EUA. Por enquanto, mantiveram a expectativa de que a taxa dos Fed Funds encerre o ano em 3,75% ao ano.