Abin alerta governo e TSE sobre risco de interferência “crítica” dos EUA nas eleições

Documento aponta escalada da pressão americana sobre o Brasil

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A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) produziu um relatório no qual aponta risco de influência ou interferência dos Estados Unidos nas eleições deste ano e identifica uma escalada da pressão americana sobre o Brasil.

O documento foi encaminhado no fim de agosto à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça. A informação foi divulgada pela Folha de S.Paulo e confirmada pelo GLOBO.

No documento, a Abin aponta um “nível de criticidade” em relação à possibilidade de interferência externa e afirma haver uma “tendência de escalada de pressão sobre o Brasil”. A avaliação é de que houve uma intensificação das ações dos Estados Unidos em relação ao país nos últimos meses.

A agência relaciona esse movimento à estratégia do governo de Donald Trump para a América Latina. Segundo o relatório, os Estados Unidos buscam reduzir a influência de potências rivais na região, sobretudo da China, e impedir o acesso desses países a ativos estratégicos, riquezas naturais e infraestrutura.

A Abin também aponta uma estratégia de apoio à ascensão de governos conservadores alinhados ao Executivo norte-americano.

O relatório cita ainda as sanções impostas pelos Estados Unidos a brasileiros e empresas e avalia que as medidas representam uma mudança de fase na pressão americana sobre o país. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, também é citado no documento, que atribui à sua atuação um componente ideológico e o objetivo de influenciar a política externa dos países da região.

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No TSE, porém, a avaliação até o momento é de que não foram identificados sinais concretos de influência externa sobre o processo eleitoral, segundo integrantes da Corte ouvidos reservadamente pelo GLOBO. A leitura é que o alerta feito pela Abin deve ser acompanhado pelo tribunal, mas que, até agora, esse risco não se traduziu em episódios de interferência percebidos no andamento das eleições.

A Abin participa de dois grupos de trabalho no TSE e mantém interlocução com a Corte durante o período eleitoral. A presença da agência nesses colegiados faz parte da estrutura de acompanhamento do pleito e permite o compartilhamento de informações relacionadas a eventuais ameaças ao processo eleitoral.