Política

1º teste de Temer em 2017, como as eleições da Câmara podem afetar o mercado?

Disputa pela presidência da casa legislativa tem sido morna, mas futuro do "centrão" ainda é incerto e pode abrir espaço para reacomodação de forças no parlamento

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SÃO PAULO – As perspectivas da eleição para a Presidência da Câmara são positivas para o presidente Michel Temer e o governo está sabendo “conduzir bem” o processo para evitar desgastes desnecessários com a base aliada. O cenário é bastante favorável por dois motivos: as chances de o candidato de oposição André Figueiredo (PDT-CE) vencer são mínimas e o cenário mais provável é a recondução para o cargo de Rodrigo Maia (DEM-RJ), preferido do governo nos bastidores. Apesar disso, os riscos de uma surpresa negativa não podem ser negligenciados no mercado, já que desde o ano passado percebemos que o termo “inesperado” tem sido cada vez mais usados em eventos políticos no mundo todo.

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Segundo o analista político Ricardo Ribeiro, da MCM Consultores, como Rogério Rosso (PSD-DF) tem dado sinais de que deve desistir da candidatura, o único nome capaz de “ameaçar” os planos de Maia seria Jovair Arantes (PTB-GO). “Para ele prevalecer, o que é pouco provável, seria em meio a uma rebelião do ‘baixo clero’ e com o apoio da nova oposição”, afirma, em referência ao grupo de deputados com pouca projeção e influência e aos adversários políticos do grupo de Michel Temer, respectivamente.

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A vitória de Arantes, no entanto, representaria uma derrota para o Planalto e poderia atrapalhar o andamento das pautas de ajuste fiscal na Câmara, na avaliação do analista. Segundo ele, a disputa pela presidência da Casa tem sido morna porque os partidos da base aliada estão se sentindo “bem servidos” pelo governo. “Todos têm ministros importantes, cargos no segundo e terceiro escalões. Eles não veem alternativa política ao governo Temer e preferem continuar no mesmo barco”, analisou.

Outra possível consequência da eleição de Maia poderia ser a implosão do chamado “centrão”, ao menos nos moldes como foi concebido pelo deputado cassado e ex-presidente da casa Eduardo Cunha (PMDB). É o cenário que aponta o jornalista Raymundo Costa, do Valor Econômico. Segundo ele, uma evidência do avanço avassalador do deputado do DEM sobre seus adversários seria a constatação de que 33 dos 37 deputados do PSD viraram as costas ao “centrão” para apoiá-lo. Para além do apoio do governo e os próprios esforços de Maia, a recondução é beneficiada por fatores exógenos, como o interesse de outros atores em desconstruir as bases criadas por Cunha. É o caso de Gilberto Kassab, que só agora começa a retomar o controle da legenda, raptado pelo poder do ex-deputado.

A perda de importância do “centrão” na cena política ainda é fenômeno a ser observado, assim como as possíveis reações dos membros do bloco ou a nova reacomodação de forças na casa legislativa. O elevado nível de fragmentação partidária joga contra um possível quadro de hegemonia da velha oposição (PSDB, DEM e PPS).

Favorito do mercado
Em contraposição a Arantes, que poderia “atrasar” o andamento das reformas apresentadas por Temer no Congresso, Maia tem demonstrado posicionamento mais amistoso nas pautas de ajuste encaminhadas pelo governo. Este motivo leva o parlamentar a ser também o “favorito” do mercado na disputa.

Ainda paira a dúvida se tal postura será replicada também na pauta da dívida dos estados. Vale lembrar que foi o atual presidente da Câmara um dos defensores do texto que retirou as exigências por contrapartidas aos governos estaduais pela União para o refinanciamento.

De todo modo, é importante para os agentes econômicos terem um personagem que lhes inspire maior confiança no comando da Câmara dos Deputados. A proximidade do calendário eleitoral em 2018 joga contra a agenda impopular do governo e tende a fazer o mundo político trabalhar no sentido contrário.

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