19 estados podem eleger governadores em 1º turno e mudar disputa entre Lula e Flávio

Pesquisas apontam chance elevada de definição no primeiro turno em boa parte dos estados; ausência de disputa local pode alterar mobilização de Lula e Flávio

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A eleição para governador pode terminar antes da presidencial em boa parte do país. O desenho atual das pesquisas e das alianças estaduais indica que 14 estados têm chance elevada de escolher seus governadores já no primeiro turno, enquanto outros cinco também apresentam vantagem suficiente para tornar esse desfecho plausível.

Se esse quadro se confirmar, até 19 das 27 unidades da Federação poderão chegar ao eventual segundo turno presidencial sem uma disputa estadual em andamento.

Santa Catarina e Amapá são hoje os exemplos mais claros. Há ainda cenários favoráveis aos líderes em Maranhão, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco e Ceará. Goiás, Paraná, Minas Gerais e Paraíba formam um segundo grupo, no qual o primeiro turno ainda está menos encaminhado, mas a distância para os adversários mantém essa possibilidade aberta.

Isso muda a capacidade de mobilização das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Governadores já eleitos podem funcionar como cabos eleitorais, enquanto estados sem eleição local tendem a perder parte da tração que leva militantes e eleitores às ruas.

Ainda que a maioria dos candidatos, nas mais recentes pesquisas, não alcance os 50% necessários para liquidar a disputa na primeira etapa, a combinação com votos nulos, brancos e abstenções os coloca muito próximo da marca.

São Paulo: Tarcísio pode virar peça central para Flávio

São Paulo é o caso mais evidente de uma eleição estadual com favorito. Na Quaest divulgada na terça-feira (25), Tarcísio de Freitas (Republicanos) aparece com 40%, contra 27% de Fernando Haddad (PT). Todos os demais candidatos somam 6%.

Se Tarcísio confirmar a reeleição no primeiro turno, a pressão para que se envolva diretamente na campanha presidencial tende a aumentar. Isso porque Flávio Bolsonaro tem desempenho bem inferior ao governador entre os paulistas: 30%, tecnicamente empatado com Lula, que marca 29%.

Uma mobilização mais forte de Tarcísio no segundo turno poderia ser importante para Flávio recuperar parte da vantagem que Jair Bolsonaro obteve no estado em 2022. São Paulo continua sendo o maior colégio eleitoral do país e qualquer diferença ampliada ali produz impacto nacional.

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Santa Catarina e Amapá têm os quadros mais avançados

Santa Catarina é um dos estados em que a possibilidade de encerramento imediato aparece de maneira mais evidente. Jorginho Mello (PL) chegou a 50% das intenções de voto na pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira (24). João Rodrigues (PSD) marcou 17%, e Gelson Merísio (PSB), 4%. Os demais candidatos tiveram até 2%. (UOL Notícias⁠)

Como brancos, nulos e indecisos não entram no cálculo dos votos válidos, o governador está, nesse retrato, acima do patamar necessário para se reeleger sem segundo turno.

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A situação é ainda mais clara no Amapá. Dr. Furlan (PSD) apareceu com 55%, contra 35% do governador Clécio Luís (União Brasil).

Os dois estados têm importância distinta para a eleição presidencial. Santa Catarina é um dos principais redutos da família Bolsonaro, enquanto o Amapá tem uma disputa presidencial mais equilibrada.

Nordeste tem três disputas praticamente bipolares

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Bahia, Ceará e Pernambuco apresentam outra configuração. Nesses estados, a possibilidade de primeiro turno decorre menos de um favorito isolado e mais da concentração dos votos em apenas duas candidaturas competitivas.

Na Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT) tenta a reeleição contra ACM Neto (União Brasil). O confronto reedita a disputa de 2022 e opõe o grupo petista, que governa o estado desde 2007, a uma candidatura de centro-direita com forte estrutura local.

Em julho, segundo a pesquisa Quaest, o ex-prefeito de Salvador e o governador empatam tanto no primeiro quanto no segundo turno. Em um eventual segundo turno entre eles, ACM Neto registrou 43% de preferência, e Jerônimo, 39%, com 11% de indecisos e 7% de votos brancos e nulos. 

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No Ceará, Elmano de Freitas (PT) enfrenta Ciro Gomes (PSDB), ex-governador e ex-ministro que voltou à política estadual após quatro candidaturas presidenciais. O resultado pode afetar diretamente a capacidade de Lula manter no estado uma rede de apoio comandada pelo PT e por Camilo Santana.

Pesquisa Genial/Quaest, de julho, mostrava que o ex-ministro lidera contra o governador Elmano, na disputa pelo governo estadual. O tucano tem vantagem contra o petista tanto no primeiro turno quanto na simulação de um segundo turno entre os dois.

No primeiro turno, Ciro registrou 43% de intenções de voto, e Elmano, 33%

Pernambuco tem uma corrida igualmente concentrada. Raquel Lyra (PSD) registra 44% na Quaest de agosto, contra 36% de João Campos (PSB). A governadora tenta a reeleição, enquanto Campos leva à disputa a força acumulada à frente da Prefeitura do Recife e a tradição política do PSB no estado.

Esses três estados estão entre os principais redutos eleitorais de Lula. Uma vitória no primeiro turno de ACM Neto, Ciro ou Raquel não significaria adesão automática a Flávio, mas retiraria do presidente a vantagem de disputar o segundo turno ao lado de candidatos locais diretamente dependentes de seu apoio.

No cenário contrário, reeleições de Jerônimo e Elmano e uma vitória de João Campos tenderiam a preservar estruturas estaduais mobilizadas em favor de Lula.

Maranhão e Mato Grosso do Sul entram na lista

O levantamento desta semana também tornou mais nítida a possibilidade de primeiro turno no Maranhão. Eduardo Braide (PSD) chegou a 44%, contra 25% de Orleans Brandão (MDB) e 6% de Felipe Camarão (PT).

O cenário é semelhante em Mato Grosso do Sul. Eduardo Riedel (PP) aparece com 40%, enquanto Fábio Trad (PT) tem 13% e Delcídio Amaral (PRD), 8%.

A pulverização da oposição favorece o governador: apesar de os 40% ainda parecerem distantes da maioria absoluta quando considerados todos os entrevistados, Riedel reúne mais votos do que a soma dos adversários que pontuaram na pesquisa.

Goiás e Paraná ainda podem encurtar a disputa

Outros dois estados merecem entrar no radar, embora estejam em uma situação menos definida. Em Goiás, Daniel Vilela (MDB) registrou 37% na Quaest de julho, contra 21% de Marconi Perillo (PSDB) e 11% de Wilder Morais (PL).

A liderança é confortável, mas o volume de votos distribuídos entre adversários e eleitores ainda sem escolha torna mais prudente tratar o primeiro turno como possibilidade, e não como resultado provável.

O mesmo vale para o Paraná. Sérgio Moro (PL) tem 37%, Requião Filho (PDT), 21%, e Sandro Alex (PSD), 15%.

Moro ainda não soma mais votos que todos os adversários juntos, mas sua vantagem e o tamanho do eleitorado indefinido deixam espaço para que a corrida se aproxime da maioria absoluta ao longo da campanha.

Minas tem líder isolado, mas disputa fragmentada

Em Minas Gerais, no levantamento feito pela Quaest em agosto, Cleitinho Azevedo (Republicanos) aparece com 29%, contra 11% de Patrus Ananias (PT), 10% de Alexandre Kalil (PDT) e 7% de Mateus Simões (PSD).

O senador ainda não tem votação suficiente para tratar o primeiro turno como provável, mas sua vantagem é ampla. A fragmentação entre os adversários dificulta que um único nome se aproxime rapidamente.

Minas tem peso especial na eleição presidencial porque é o segundo maior colégio eleitoral do país e terminou praticamente dividido em 2022. Na pesquisa presidencial atual, Lula e Flávio também aparecem tecnicamente empatados no estado.

Se Cleitinho vencer cedo, sua posição no segundo turno presidencial ganhará importância. O senador declarou apoio a Flávio, mas sua candidatura estadual foi marcada por negociações próprias e certa autonomia em relação ao PL.

Rio tem Paes forte, mas alinhamento presidencial incerto

No Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD) lidera com 37% na Quaest de agosto, contra 14% de Douglas Ruas (PL) e 7% de Anthony Garotinho (Republicanos).

Paes aparece em posição confortável, embora pesquisas recentes tenham mostrado algum crescimento dos adversários. O ponto mais relevante para a eleição presidencial é seu alinhamento.

Lula tem 29% no estado, enquanto Paes chega a 37% na disputa estadual. O prefeito mantém relação próxima com o governo federal, mas sua coligação reúne setores que apoiam Flávio Bolsonaro, inclusive sua candidata a vice.

Se vencer no primeiro turno, Paes poderá chegar ao segundo turno presidencial com poder de negociação elevado. No Rio, cada ganho de Lula tem peso adicional porque reduz a vantagem de Flávio justamente no estado onde o senador construiu sua carreira política.

Paraíba se aproxima, mas segundo turno ainda é o cenário mais seguro

A Paraíba também mudou de patamar na pesquisa desta semana. Lucas Ribeiro (PP) chegou a 38%, enquanto Cícero Lucena (MDB) tem 19% e Efraim Filho (PL), 18%. Os demais candidatos somam 3%. Há 12% de indecisos e 10% de brancos, nulos ou eleitores que não pretendem votar.

O governador está perto da metade dos votos dados a candidatos, mas ainda fica numericamente abaixo da soma dos adversários. Por isso, a hipótese de primeiro turno existe, mas é menos consistente do que nos estados em que o líder já supera todos os concorrentes somados.

Onde o segundo turno estadual ainda deve puxar a presidencial

Hoje, oito estados aparecem com maior probabilidade de manter uma disputa para governador no segundo turno: Rio Grande do Sul, Paraíba, Distrito Federal, Rio Grande do Norte, Acre, Amazonas, Espírito Santo e Tocantins.

Nesses locais, a campanha estadual pode funcionar como motor para a presidencial.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, Luciano Zucco (PL) registra 26% e Juliana Brizola (PDT), 23%, segundo a Quaest de agosto. A disputa é apertada e reproduz parcialmente a divisão nacional: Flávio lidera no estado, mas por margem pequena.

No Distrito Federal, a situação é menos previsível. Celina Leão (PP) aparece à frente, enquanto José Roberto Arruda (PSD) tenta superar problemas jurídicos para permanecer na corrida. Mesmo se houver segundo turno local, o alinhamento das candidaturas não necessariamente será reproduzido na eleição presidencial.

A consequência prática é que o mapa dos governadores pode definir onde Lula e Flávio terão estruturas locais plenamente mobilizadas em outubro.

Estados decididos no primeiro turno entregam aos vencedores liberdade para escolher o grau de envolvimento na campanha nacional. Onde houver segundo turno, candidatos a governador terão interesse direto em manter cabos eleitorais, militância e alianças funcionando até o fim.

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Marina Verenicz
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