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Carlos Slim: filho de imigrantes libaneses é a pessoa mais rica da América Latina

Mexicano tem negócios em diversas áreas, com destaque para telecomunicações. Sua América Móvil controla marcas como Claro, Embratel e Net.

Carlos Slim
Nome completo:Carlos Slim Helú
Data de nascimento:28 de janeiro de 1940
Local de nascimento:Cidade do México, México
Formação:Engenharia Civil
Ocupação:Empresário de telecomunicações e outras áreas
FortunaUS$ 62,8 bilhões*
*segundo ranking Forbes 2021

Quem é Carlos Slim?

Carlos Slim é um empresário mexicano, controlador da América Móvil, maior operadora de telefonia celular da América Latina. A empresa é dona de marcas como a Claro, Embratel e Net, no Brasil. Ele tem negócios em diversas outras áreas, como bancos, construção, indústria, mineração e varejo.

Slim é a pessoa mais rica da América Latina e figura na 16ª posição na lista de bilionários da revista norte-americana Forbes. Em 2020, chegou a ocupar o topo do ranking. No rol da Bloomberg, o mexicano está na 15ª colocação.

Origem e formação

Carlos Slim Helú nasceu em 28 de janeiro de 1940 na Cidade do México, capital do México. Ele é o quinto de seis filhos do casal de imigrantes libaneses Julián Slim, nascido Khalil, e Linda Helú. De acordo com reportagem da revista norte-americana New Yorker reproduzida pela brasileira Piauí, o pai desembarcou no porto de Veracruz, no México, em 1902, com 14 anos, saído da vila libanesa de Jezzine, cerca de 70 quilômetros ao sul de Beirute.

A história é semelhantes às de milhares de sírios e libaneses que migraram para as Américas, e ao Brasil em especial, a partir do final do século 19. Eles fugiam da dominação Otomana na região do Levante e buscavam melhores condições de vida. Eram majoritariamente cristãos.

No caso dos Slim, maronitas, católicos libaneses devotos de São Maron. O pai de Carlos juntou-se no México a dois irmãos que tinham uma loja. O comércio era a atividade principal dos imigrantes libaneses nas Américas. Geralmente, começavam como mascates.

Segundo a New Yorker, Julián e o irmão José abriram um armazém geral na cidade do México em 19011, em plena Revolução Mexicana (1910-1920). Posteriormente, o primeiro comprou a parte do outro no negócio. “Ele decidiu que ficaria no México para sempre”, disse Carlos à revista. “E investiu durante a revolução”, acrescentou.

O pai fez fortuna no período. Além do comércio, tinha ações e imóveis. Carlos seguiria a estratégia de investir em tempos de crise, a preços baixos, para lucrar depois. “Dinheiro que não vai para os negócios evapora”, dizia o pai ao filho. “Todas as épocas são boas quando você trabalha do jeito certo”, ensinava.

O pai destacava também a importância da família, fazendo uma analogia com palitos. “É possível quebrar um, mas não dá para quebrar todos juntos.” As fortes ligações familiares são outra característica comum entre os imigrantes de origem árabe. Julián vendeu seu comércio em agosto de 1929, dois meses antes da quebra da Bolsa de Nova York, que daria início à Grande Depressão.

Desde cedo, Carlos aprendeu a mexer com dinheiro. Abriu uma conta corrente aos 10 anos, aplicou na poupança e, aos 12, ganhou do pai um livro para anotar suas movimentações. Dava uma “semanada” de 5 pesos e checava as anotações de despesas. O patriarca morreu em 1953, aos 65 anos. “Fiquei dois anos trancado em casa”, contou Carlos à New Yorker.

Grupo Carso

Depois do ensino médio, Slim foi estudar Engenharia Civil na Universidade Nacional Autônoma do México, onde se formou em 1961. Ele chegou a lecionar Álgebra na instituição. Embora não exerça a profissão, é até hoje chamado de “engenheiro”.

Em 1965, fundou a corretora de valores Inversora Bursatil, e em 1966, a Imobiliária Carso, hoje Carso Inversiones. “Inversiones” significa “investimentos” em espanhol.

A holding Grupo Carso, fundada em 1980 como Grupo Galas, reúne os negócios dos Slim nas áreas de comércio, indústria, infraestrutura e construção, energia, e pesquisa a desenvolvimento. A América Móvil, dona da operadora de telefonia Claro, é controlada por Slim, mas não integra o Grupo Carso, assim como outros negócios do empresário nos setores financeiro, de mineração, imobiliário, de projetos e de telecomunicações.

Grupo Carso de Carlos Slim
(Crédito: Shutterstock)

Em 1967, Slim se casou com Soumaya Domit, também de família libanesa. O casal teve seis filhos: Carlos, Marco Antonio, Patrick, Johanna, Vanessa e Soumaya. A sigla “Carso” é a junção das primeiras sílabas de Carlos e Soumaya.

Em uma biografia não autorizada do empresário publicada em 2015, o jornalista mexicano Diego Enrique Osorno conta que a mulher era prima de ex-presidentes do Líbano, os irmãos Bashir e Amin Gemayel.

O primeiro era líder da milícia cristã falangista na Guerra Civil do Líbano (1975 a 1990) e foi morto num atentado em 1982, antes de tomar posse. Em retaliação, os milicianos promoveram os massacres de refugiados palestinos nos campos de Sabra e Shatila. Amin, mais moderado e conciliador, presidiu o Líbano de 1982 a 1982. O pai de ambos, Pierre Gemayel, fundou o Partido Falangista em 1936. A organização dominou a política cristã libanesa por décadas e, segundo Osorno, o pai de Carlos era um simpatizante.

O jornalista conta ainda que o irmão de Carlos, Julián, morto em 2011, teria “interrogado” supostos insurgentes esquerdistas enquanto membro da extinta Diretoria Federal de Segurança (DFS), temido órgão mexicano de inteligência. O livro chama-se “Slim: Biografía Política del Mexicano Más Rico del Mundo” (“Slim: biografia política do mexicano mais rico do mundo”, em tradução livre, sem versão brasileira).

O autor, no entanto, não implica o empresário nestas questões e o descreve como um empreendedor digno e determinado, um gênio matemático e trabalhador obstinado, e que mantém certa humildade mesmo com sua imensa fortuna. “Não é a história de um herói ou vilão, mas de um ser humano com um monte de contradições”, afirmou o jornalista à revista norte-americana Time.

Osorno, que entrevistou o empresário para a obra, entre diversas outras fontes, revela que Carlos sofreu bullying na escola por ser libanês e que o sobrenome original da família Slim é Salim. Ele conta ainda que o empresário é admirador do imperador mongol Gengis Khan e que isso se reflete em sua estratégia de negócios, dando aos adversários uma falsa sensação de segurança antes de atacar.

Em 1982, o México deu o calote na dívida externa e Slim seguiu os passos do pai. Comprou barato o controle de diversas companhias no país, como Reynolds Aluminum, General Tire, a rede varejista Sanborns, Anderson Clayton (trading de algodão) e Bancomer (um dos principais bancos do México à época). Antes, o empresário já havia adquirido uma engarrafadora, uma mineradora, uma gráfica, e uma fábrica de cigarros, a Cigatam, que tinha a licença da marca Marlboro. Mais tarde, assumiu o controle da rede Sears no México.

Telmex

Ao longo da década, os negócios prosperaram. Em 1990, Slim abriu o capital do Grupo Carso e deu um grande salto ao comprar a Telmex, a estatal mexicana de telefonia, ao lado da SBC Communications e da France Télécom, por US$ 1,76 bilhão. Na época, surgiu o boato que o empresário havia vencido o processo de privatização por seus laços com o então presidente mexicano Carlos Salinas de Gortari, o que ambos negam.

Posteriormente, Slim assumiu o controle da ex-estatal, tirando a France Télécom do jogo. Em 1991, ele apareceu pela primeira vez na lista de bilionário da revista norte-americana Forbes, com uma fortuna de US$ 1,7 bilhão.

O fato é que Slim assumiu uma posição dominante no setor de telecomunicações, pois a Telmex tinha o monopólio da telefonia no país, mantido por seis anos após a privatização. Ele e até hoje o principal operador do setor no México e continua a ser criticado pela concentração.

Em 2001, o empresário desmembrou a empresa e criou a América Móvil, de telefonia celular. Passou a comprar empresas do ramo pela América Latina. Hoje sua companhia é a maior operadora da região. No Brasil, controla a Claro, a Embratel e a Net. Atualmente, a Telmex faz parte da América Móvil.

“Para alguns setores da sociedade mexicana, Slim é uma figura inspiradora. Ter alguém com este nível de riqueza, é uma maneira do México triunfar. Mas para outro segmento, ele encarna e enorme desigualdade deste país”, declarou Osorno, segundo a Time.

Em 1997, foi aos Estados Unidos fazer uma cirurgia cardíaca, a troca de uma válvula. A válvula implantada rompeu e ele teve uma hemorragia grave. “Precisei de 130 bolsas de sangue”, disse à New Yorker. Depois do susto, Slim passou o controle do dia a dia de suas empresas para os filhos e genros. Em 1999, sua mulher, Soumaya, morreu de insuficiência renal.

O empresário segue no entanto como cérebro do clã, e dos negócios. Todas as segundas-feiras, ele janta com os filhos, noras e genros, e às quartas, almoça com os netos, e aos finais de semana reúne a família para assistir esportes na TV. Slim é fã de beisebol e do time New York Yankees.

A partir de 2018, o mexicano tornou-se acionista do jornal New York Times. Chegou a ter 17% das ações, sendo por um tempo o maior acionista individual, mas se desfez de mais da metade de sua participação até agora. Ele já foi também o maior acionista individual do Citigroup.

O magnata controla uma das maiores empresas de telecomunicações do mundo, mas não usa computadores. Utiliza, sim, smartphones.

Museu Soumaya
O Museu Soumaya foi inaugurado em 1994 pela Fundação Carlos Slim para abrigar a coleção de arte do magnata. (Crédito: Shutterstock)

Artes e filantropia

Slim é um grande colecionador de arte. Em 1994, ele fundou o museu Soumaya, em homenagem à mulher, para abrigar sua coleção pessoal, na cidade do México. A instituição tem mais de 300 obras do escultor francês Auguste Rodin, o maior acervo fora da França.

Ele teve papel de destaque na revitalização do centro histórico da Cidade do México, destruído por um terremoto em 1985. Slim criou em 2000 a Fundação para o Centro Histórico da Cidade do México. Em 2004, ele recebeu o Hadrian Award, do Fundo Mundial de Monumentos, por seu papel na preservação de prédios históricos na cidade.

As filhas do empresário atuam em suas organizações artísticas e filantrópicas. Além do museu, Slim criou a Fundação Telmex, a Fundação Carlos Slim e o Instituto Carlos Slim de Saúde. Segundo a Bloomberg, o empresário já destinou US$ 3 bilhões para estas iniciativas. As instituições promovem projetos nas áreas de saúde, esportes e educação.

O empresário foi premiado também por suas iniciativas filantrópicas, mas diz não acreditar que elas tenham efeitos generalizados. “A pobreza não será resolvida com doações”, declarou ele em entrevista à Forbes em 2012. “A abertura de negócios é mais benéfica para a sociedade do que sair por aí como Papai Noel”, acrescentou.

Descrito como frugal, alguém que vive na mesma casa há mais de 40 anos, quem visitou sua residência diz que chamam a atenção apenas obras de artistas famosos. Discreto, há mais de 10 anos circulou o boato de que o empresário e a rainha Noor, viúva do rei Hussein, da Jordânia, morto em 1999, tinham um relacionamento próximo. “Somo bons amigos”, disse Slim na época.

O mexicano é a 16ª pessoa mais rica do mundo, de acordo com a revista Forbes, com uma fortuna avaliada em 2021 de US$ 62,8 bilhões. Pelos cálculos da Bloomberg, ele está no 15º lugar, com US$ 65,6 bilhões, e embolsou até hoje US$ 10 bilhões só em dividendos. Já chegou a liderar a lista da Forbes e é o mais rico da América Latina.

Dizem que é difícil classificar Slim politicamente, mas em 2016 ele criticou abertamente o então candidato à presidência dos Estados Unidos pelo Partido Republicano, Donald Trump, por fazer comentários racistas sobre imigrantes, prometer a construção de um muro na fronteira com o México e ameaçar tirar os EUA do Acordo Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta, na sigla em inglês). Depois da eleição de Trump, após um encontro entre os dois, o empresário reiterou que investimentos e desenvolvimento econômico no México seriam muito mais eficientes para conter a imigração do que um muro.

Covid-19

No início de 2021, ao completar 81 anos, Slim foi internado com Convid-19, mas se recuperou rapidamente. A Fundação Carlos Slim ajuda a financiar a fabricação de 150 milhões de doses da vacina AstraZeneca/Oxford na Argentina e no México, e sua distribuição pela América Latina, com exceção do Brasil, onde o consórcio britânico tem acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Investigação

Em maio de 2021, o desabamento de um trecho elevado do metrô da Cidade do México matou 26 pessoas e feriu 80. A construtora de Slim participou da obra e uma investigação feita pela norueguesa DNV constatou que trabalho mal feito pela empresa resultou no desastre, que ocorreu menos de nove anos depois da construção. O presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, disse que o empresário se comprometeu a fazer os reparos.

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