XP (XPBR31) lança três carteiras de ETFs com aporte inicial de R$ 2,5 mil

Estratégia é resposta ao crescimento desse mercado à demanda de clientes que buscam aplicar nessa categoria de ativos, mas tinham dúvidas sobre quais produtos comprar

Osni Alves

Ativos mencionados na matéria

Rachel de Sá, estrategista de investimentos da área de análise da XP.
Rachel de Sá, estrategista de investimentos da área de análise da XP.

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A XP (XPBR31) anunciou o lançamento de três novas carteiras de alocação montadas exclusivamente com ETFs, os fundos de índice negociados em bolsa. A iniciativa permite ao investidor montar um portfólio diversificado entre diferentes classes de ativos a partir de R$ 2,5 mil.

A estratégia é uma resposta ao crescimento desse mercado no país e à demanda de clientes que buscam aplicar nessa categoria de ativos, mas tinham dúvidas sobre quais produtos comprar.

“Temos uma demanda muito grande por parte de clientes e assessores”, afirmou Rachel de Sá, estrategista de investimentos da área de análise da XP, em entrevista ao InfoMoney.

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Segundo ela, o avanço da educação financeira levou mais investidores a buscar carteiras diversificadas com olhar de longo prazo, mas muitos travavam na hora de escolher o produto específico.

“Eu entendi a classe, mas o que eu faço com isso agora? O que eu efetivamente compro?”, resumiu a executiva, ao reproduzir o questionamento recorrente entre os clientes.

A estrategista contou que a equipe juntou esse pedido à evolução do próprio mercado brasileiro de ETFs, que ganhou liquidez e diversidade nos últimos meses. Há cerca de um ano e meio, conforme ela, não seria possível entregar todas as classes desejadas em uma carteira diversificada usando apenas esses fundos. Agora já dá.

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As carteiras seguem a alocação recomendada pelo time de análise comandado por Artur Wichmann, CIO da XP, e estão divididas entre a parcela em reais e a parcela em dólares do patrimônio do investidor.

A versão Brasil reúne ETFs negociados na B3, enquanto a Global usa fundos listados no exterior para os 15% de exposição internacional sugerida pela corretora.

“Banana com arroz”: a confusão mais comum

Para Rachel, ainda há muito trabalho de educação financeira a ser feito quando o assunto é ETF. A maior confusão, segundo ela, é tratar o produto como se fosse uma classe de ativo, quando na verdade ele é apenas o veículo que carrega os ativos.

“O ETF é uma casca, ele é um veículo”

— Rachel de Sá, estrategista de investimentos da área de análise da XP.

A executiva comparou a situação a misturar produtos que não pertencem à mesma categoria. “Você está comprando banana com arroz”, disse, ao se referir ao investidor que afirma querer aplicar em “fundos, ETFs e ações”.

O correto, segundo ela, é definir primeiro a classe — renda fixa, ações brasileiras, ações no exterior, inflação — e depois escolher o instrumento, que pode ser um ETF.

Entre as vantagens do formato, a estrategista cita a acessibilidade e a diversificação embutida em um único produto. Um ETF de renda fixa, por exemplo, reúne diversos títulos públicos ou privados em uma única compra, muitas vezes a partir de R$ 100.

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“É uma maneira de você comprar um veículo barato, diversificado, de uma vez só”, afirmou.

Na parte de renda variável, o destaque ficou para a escolha do PIBB11, que segue o IBrX-50, no lugar do BOVA11, o ETF mais conhecido do país, que replica o Ibovespa.

A definição reflete o posicionamento tático atual da casa, voltado a companhias de maior qualidade e baixo endividamento. “A gente queria fazer esse filtro de qualidade nesse momento”, explicou Rachel.

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Movimentos táticos esbarram no tamanho do mercado

Apesar do desenho mais estrutural, as carteiras admitem ajustes táticos conforme o cenário muda. Hoje, segundo a estrategista, a duração recomendada para a parte de renda fixa atrelada à inflação é de seis anos.

“Se a gente estivesse com um cenário de juros diferente, a gente teria potencialmente uma duração maior, ou vice-versa”, afirmou.

O maior obstáculo para movimentos táticos mais finos, contudo, ainda é o tamanho do mercado brasileiro. Operações específicas, como uma exposição à bolsa global com proteção cambial dentro da carteira Brasil, esbarram em poucas opções listadas. Para outras classes, a oferta cresceu rapidamente.

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A executiva lembrou que, até três meses atrás, praticamente não existiam ETFs prefixados no país. Agora, já há diferentes alternativas, com prazos distintos.

Também ganhou corpo a família de ETFs que cobre todos os vencimentos das NTN-Bs, os títulos do Tesouro atrelados à inflação. “A gente consegue mudar a composição da carteira para refletir isso”, disse.

A única classe que ficou de fora foi a de fundos multimercado, porque não existe no Brasil um ETF que represente essa indústria, como ocorre nos Estados Unidos. O peso que caberia a essa categoria foi redistribuído entre os demais ativos.

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Aposta em gestão indexada

O lançamento, segundo Rachel, integra um movimento mais amplo da XP para fortalecer a atuação em gestão indexada.

A estrategista evita o termo “passivo” para se referir a esse tipo de produto. “Não tem nada de passivo. Tem todo um trabalho muito grande aqui envolvido”, afirmou.

A casa já oferece a família de fundos Trend, da XP Asset, também indexados, e mantém uma carteira recomendada com esses produtos. Agora, com as novas carteiras de ETFs, a corretora afirma ser a primeira do país a estruturar uma família de recomendações específica para esse formato.

A área publica mensalmente um relatório batizado de Bússola de ETFs, com indicações de produtos individuais, posicionamento tático e as carteiras Brasil e Global. “Tudo isso é algo que a gente só está conseguindo fazer porque o mercado está se tornando mais robusto”, disse Rachel.

Para ela, a expansão das carteiras montadas com esses fundos pode ampliar o acesso do investidor brasileiro à diversificação, inclusive global. “É um veículo que vai ser diversificado, vai ser barato”, resumiu, ao lembrar que a lógica de baixo custo e ampla cobertura se aplica também aos investimentos no exterior.