Ouro segue como proteção, mas Bitcoin vira incógnita em 2026, diz Wichmann, da XP

Em meio a tensões globais, CIO da XP defende diversificação, disciplina e portfólios preparados para diferentes cenários, sem apostas extremas

Osni Alves

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O ano de 2026 começou marcado por um cenário global instável, com tensões geopolíticas e mercados em alerta. Para investidores, a palavra de ordem é cautela. Artur Wichmann, CIO da XP Investimentos, afirma que ativos alternativos seguem sendo relevantes, mas exigem atenção.

“O ouro continua importante para reduzir risco do portfólio, mas terá volatilidade. Já o Bitcoin se comporta mais como ativo de risco atualmente; sua correlação com ações aumentou e com ouro diminuiu, tornando-o uma incógnita”, disse.

O executivo reforçou que não se trata de apostar em cenários extremos, mas de adotar uma estratégia balanceada. “É um jogo não repetitivo e binário. O objetivo é criar um portfólio que não esteja exposto a nenhum resultado específico”, afirmou.

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Ele também ressaltou a necessidade de disciplina e diversificação no longo prazo, evitando o viés de recência, que é quando investidores tendem a se basear excessivamente em eventos ou resultados recentes ao tomar decisões, ignorando o histórico mais amplo ou a perspectiva de longo prazo.

“Investidores devem construir a carteira a partir de uma ‘folha em branco’, considerando preços atuais e a incerteza política e econômica.”

O executivo conversou com Clara Sodré e Fabiano Cintra no podcast Outliers InfoMoney.

Principais erros dos investidores 

Wichmann ressaltou a necessidade de manter a calma diante da volatilidade.

“Um dos principais erros históricos dos investidores é reagir na emoção, tomar decisões impulsivas e ajustar posições constantemente. Agora é o momento de analisar, ter disciplina e não se deixar levar pelo efeito manchete”

— Artur Wichmann, CIO da XP Investimentos.

O especialista traçou um paralelo entre o cenário econômico e a geopolítica global, destacando eventos recentes como a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos. “Estamos entrando em um regime de risco diferente daquele que moldou os mercados na última década. O norte magnético do mundo está mudando”, afirmou.

Segundo Wichmann, o modelo de decisões multilaterais que prevaleceu desde a queda do Muro de Berlim está sendo substituído por uma lógica pragmática, priorizando interesses nacionais sobre considerações morais ou éticas.

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“A Real Politics, conceito de Kissinger nos anos 1970, significa que o interesse do país se sobrepõe a qualquer outra consideração. Isso impacta diretamente as decisões de investimento”, explicou.

Para o CIO da XP, o ambiente exige atenção redobrada aos indicadores econômicos e instrumentos de renda fixa.

“No Brasil, começamos o ano com a Selic a 15% e títulos de IPCA pagando IPCA mais 7,5%. O desafio não será o retorno esperado, mas administrar a volatilidade e a ansiedade que ela gera”, disse.

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Wichmann ainda alertou para a necessidade de utilizar ferramentas de finanças comportamentais para evitar decisões precipitadas.

“É hora de tirar todos os livros da gaveta, criar processos que afastem o efeito manada e o impacto das manchetes, e dar um passo atrás para analisar com clareza”, afirmou.