Carta do gestor

Verde: Governo dá “proverbial tiro no pé” com reforma tributária e discussão do texto já abala sentimento econômico

Em carta, gestora do renomado Luis Stuhlberger disse que texto enviado pelo governo pode atrapalhar sentimento de otimismo, com avanço da vacinação

Por  Bruna Furlani -

SÃO PAULO – Os desdobramentos do texto da segunda fase da reforma tributária entregue pelo governo há cerca de três semanas seguem gerando forte incerteza em uma das gestoras brasileiras mais renomadas no mercado. Embora a proposta ainda possa ser diluída no Congresso, a Verde acredita que o envio do texto representa um “proverbial tiro no pé” por parte do governo e que a simples discussão do texto já “abala o sentimento econômico e força retração na perspectiva de investimento de médio prazo”.

Em carta mensal de junho do fundo Verde, comandado por Luis Stuhlberger, a gestora afirma que, se o cenário de 2022 já se mostrava complexo dado o calendário eleitoral, agora, com a perspectiva de que o governo aumente a carga tributária, é possível que o cenário das eleições fique ainda pior.

Os desdobramentos da reforma tributária também são citados na carta como fatores que podem atrapalhar o momento em que o país vive em que a vacinação ganha tração e que há um sentimento de maior otimismo com a retomada cíclica da economia.

Não é a primeira vez que a casa se posiciona contra as mudanças propostas pelo governo. Na semana passada, Stulhberger comentou sobre os impactos da reforma durante live do evento “Verde Week”.

Na ocasião, ele disse que, se a reforma tributária fosse aprovada, poderia haver uma antecipação de pagamento de dividendos, o que poderia acelerar a saída de dólares daqui para o fim do ano.

“Colocar 20% de [tributação sobre os] dividendos, e diminuir em duas de 2,5% o Imposto de Renda, é botar um bode na sala, e depois dar uma gorjeta para ficar com esse bode”, disse Stuhlberger.

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Cenário internacional

Já ao comentar sobre o cenário global, a gestora afirmou na carta que a economia mundial continua caminhando na direção da retomada econômica, com o avanço dos programas de vacinação. E ponderou que os casos envolvendo a variante Delta preocupam, mas que as vacinas existentes, em geral, parecem conferir uma proteção adequada.

Embora as perspectivas apontem para a recuperação da economia mundial, a Verde disse que se “surpreendeu” ao ver que as taxas de juros nos mercados desenvolvidos caíram pelo segundo mês consecutivo de maneira significativa.

“O mercado parece ser guiado por fatores técnicos nessa direção de juros globais mais baixos, mas quanto tempo esse movimento vai durar é difícil dizer”, disse a gestora na carta.

Em junho, o fundo apresentou queda de 0,21%, enquanto o CDI teve variação de 0,30% no mês. Já no primeiro semestre, o multimercado Verde rendeu 3,51%, ao mesmo tempo em que o retorno do CDI foi de 1,27%.

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