Verde Asset

Stuhlberger vê na inflação maior risco no radar e critica proposta de reforma tributária: “Em vez de simplificar, complica”

Gestor do fundo Verde classificou a tributação dos fundos imobiliários como um “profundo equívoco”

Luis Stuhlberger (Crédito: divulgação)

SÃO PAULO – Embora o segundo semestre de 2021 venha se desenhando como um período próspero para o desempenho dos mercados, em meio ao avanço da vacinação e do reaquecimento econômico, gestores experientes têm alertado quanto aos riscos no horizonte aos quais o investidor precisa estar atento.

Em live nesta quarta-feira, o sócio fundador da JGP, André Jakurski, já havia abordado um ambiente mais desafiador à frente para os investidores, em comparação aos últimos meses, em que a alta liquidez contribuiu para a boa performance dos investimentos de maior risco.

Na mesma toada, nesta quinta (1), foi a vez de outro gestor renomado do mercado brasileiro frisar seus maiores temores. Luis Stuhlberger, da Verde Asset, demonstrou estar preocupado com a inflação nos Estados Unidos, que, em sua avaliação, está em níveis acima do esperado por conta do processo de reabertura das economias.

No painel de encerramento do evento “Verde Week” nesta quinta-feira, mais do que discorrer sobre aspectos relacionados ao ambiente macroeconômico doméstico de qualquer matiz, o sobreaquecimento da atividade na maior economia global, que pode forçar o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) a subir o juro em um ritmo mais acelerado do que o previsto, foi destacado como o maior risco no radar.

“Se tem algo que pode estragar o mundo bom que a gente vive nos mercados seria o caso de ter inflação alta nos Estados Unidos e os juros subirem de uma maneira significativa”, afirmou Stuhlberger.

Ele acrescentou que, diferentemente de outras crises, em que geralmente há um empobrecimento da população, desta vez o efeito observado foi justamente o inverso, devido a todos os estímulos injetados na economia.

Em paralelo, Stuhlberger lembrou que, embora alguns setores já estejam em níveis acima daqueles observados no começo da pandemia, como de imóveis residenciais e consumo de bens, há outros, mais relacionados ao lazer, de empresas de hospitalidade, bares e restaurantes, que seguem com dificuldade para se recuperar.

E caso o Fed prossiga com o estímulo no ritmo atual, de olho em prover auxilio aos mais vulneráveis, é razoável imaginar que o resto da economia terá um sobreaquecimento, afirmou o gestor da Verde. “Esperar os mais vulneráveis é socialmente compreensível, mas tem seus riscos.”

Argumentos para os dois lados

De toda forma, ele reconheceu que existem também argumentos razoáveis que afastam o risco de um aperto monetário mais agressivo do Fed.

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Entre eles, Stuhlberger apontou os ganhos de produtividade com o advento da tecnologia, além das próprias sinalizações recentes do Fed de que a inflação é temporária e de que irá agir assim que julgar necessário.

A postura da autoridade monetária americana contribuiu para uma redução da volatilidade nos vértices mais longos da curva de juros americana, movimento que fez a Verde aumentar a aposta em ações de tecnologia nos Estados Unidos. Saiba mais a respeito aqui.

Reforma tributária

Quando a live já encaminhava-se para o seu encerramento, em uma breve análise sobre a proposta da reforma tributária, Stuhlberger, em linha com os pares, se mostrou bastante contrariado.

O aumento “boçal” de carga tributária que a reforma implica, afirmou, tende a reduzir os investimentos por parte das empresas no país.

“Se a reforma tributária for aprovada, vai haver uma antecipação de pagamento de dividendos, que pode acelerar a saída de dólares daqui para o final do ano”, disse Stuhlberger, que classificou a tributação dos fundos imobiliários como um “profundo equívoco”.

Por fim, o gestor da Verde disse que tributar a distribuição dos dividendos, com uma redução do Imposto de Renda para as pessoas jurídicas, é justo, mas desde que neutro do ponto de vista de arrecadação.

“Colocar 20% de [tributação sobre os] dividendos, e diminuir em duas de 2,5% o Imposto de Renda, é botar um bode na sala, e depois dar uma gorjeta para ficar com esse bode”, ilustrou. “Não tem cabimento uma coisa dessa, vai ter que ser revisto.”

Da forma como foi apresentada, a tendência, prevê o gestor da Verde, é que a reforma tributária ainda passe por mudanças importantes até sua aprovação final. “Em vez de simplificar, complica.”

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