Veja quem ganhou e quem perdeu dinheiro em 2013 e aprenda o segredo para 2014

O primeiro passo para encontrar as melhores brechas em meio a um cenário turbulento está em apenas uma expressão chave: educação financeira

Publicidade

SÃO PAULO – 2013 não foi um ano muito feliz para os investidores, com o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores, em queda de quase 20% no ano, faltando apenas duas semanas para o seu fim. Investimentos em renda fixa também decepcionaram os investidores menos arrojados, tornando favorável apenas as opções que oferecem uma rentabilidade muito baixa e pouco atrativa. No entanto, quem soube aproveitar as oportunidades pontuais, conseguiu ganhar dinheiro. Muito dinheiro.

O InfoMoney fez um balanço de 2013 e dividiu quem mais perdeu dinheiro e quem mais soube aproveitar as oportunidades no ano, para mostrar aos investidores que, mesmo em anos ruins para os investimentos, como deve ser 2014, de acordo com as previsões de mercado, é possível encontrar janelas de oportunidade.

Quem perdeu
Começando pela parte ruim, quem mais se deu mal neste ano foi quem acreditou no Ibovespa, benchmark de nossa bolsa. Claro que isso não significa que quem comprou e segurou papéis do índice necessariamente perdeu dinheiro, afinal, alguns ativos subiram consideravelmente, mas quem apostou fielmente no índice, montando uma carteira repleta de ativos dele, ou investiu, por exemplo, em BOVA11, ETF que acompanha o benchmark, com certeza perdeu muito dinheiro.

Acompanhe a cotação de todos os fundos imobiliários negociados na BM&FBovespa

Dos 72 papéis que compõe o índice, de 66 empresas diferentes, 47 sofreram desvalorização no ano, ou seja, 65% do Ibovespa caiu, sendo que, dos 25 que tiveram alta, apenas 15 subiram consideravelmente. O BOVA11 caiu quase 20% no ano.

Outros investidores que não tem motivos para estarem feliz neste fim de ano são os que acreditaram nas promessas de Eike Batista. Os seguidores fiéis do empresário realmente não terão um natal muito farto, levando em consideração que duas de suas empresas foram vendidas (MPX – atual Eneva [ENEV3] – e a LLX – atual Prumo [LLXL3], com quedas de 74,62% e 48,86%, respectivamente); duas entraram em recuperação judicial (OGX [OGXP3] e OSX [OSXB3], que já caíram 95,21% e 95,59%, nesta ordem); e as outras duas estão em uma situação bem complicada, visto que, uma delas é a maior queda do Ibovespa no ano (MMXM3), de 84,94%, e a outra, que não pertence ao índice (CCXC3), já caiu 52,20%.

Continua depois da publicidade

Ainda em relação aos que perderam, outros investidores que não estão satisfeitos com o mercado acionário são os que acreditaram nas construtoras e mantiveram suas ações na carteira durante todo o ano. Das seis principais ações do setor, que fazem parte do índice, três estão entre as 10 maiores quedas dele: a Brookfield (BISA3), a Rossi Residencial (RSID3) e a PDG Realty (PDGR3), com quedas de 70,47%, 55,16% e 44,11%, respectivamente. Isso sem falar nas que não compõe o índice, que tiveram desempenhos muito ruins durante o ano, com exceção da EZTec (EZTC3).

Agora fora do mercado acionário, quem comprou fundos imobiliários também teve um ano muito difícil. O Ifix, benchmark dos FIIs, está com uma queda de 13,29% até o fechamento de terça-feira (17), enquanto um dos seus principais e mais promissores fundos, o BTG Corporate Office Fund (BRCR11), já caiu 15,41% no mesmo período.

Os investidores que compraram títulos públicos atrelados à inflação no começo do ano passado, principalmente aqueles com prazos mais longos, também viram o preço destes títulos cair no mercado. O aumento da taxa de juros foi um dos principais responsáveis por este movimento. As NTN-B principal com vencimento em 2035, por exemplo, registra queda de 32,36% no acumulado de 2013. Já a NTN-B com vencimento em 2050 perdeu 24,12%.

É importante lembrar que estas perdas só valem para quem vende os títulos antes do seu vencimento. Os investidores que carregam a aplicação até o final do prazo sempre receberão o valor acordado, sem risco de perda.

Quem ganhou
Apesar de o ano ter sido ruim, muitos investidores que souberam aproveitar as oportunidades conseguiram ganhar bastante dinheiro.

O primeiro exemplo são os investidores que apostaram na alta do dólar. Em meio a rumores de que o programa de estímulos nos Estados Unidos, conhecido como QE3 (Quantitative Easing), está chegando ao fim, o dólar apreciou muito ante o real. O programa injeta até US$ 85 bilhões mensalmente na economia do país por meio de compra de títulos públicos e o seu fim vai diminuir a liquidez nos mercados mundiais, fazendo o dólar ficar supervalorizado ante outras moedas, principalmente dos países emergentes.

Continua depois da publicidade

Com os rumores, o dólar chegou a valer mais de R$ 2,40 neste ano, o que beneficiou muito empresas exportadoras, que compram sua matéria prima em real e vendem seu produto em dólar, como as companhias de Papel & Celulose (Suzano [SUZB5] e Fibria [FIBR3]) e empresas como Embraer (EMBR3) e Dufry (DAGB33). Elas subiram 23,18%, 17,41%, 31,06% e 50,92%, respectivamente. Segundo especialistas, esse cenário deve se manter no ano que vem e essas empresas devem continuar performando bem, pois muitos acreditam que de 2014 o QE3 não passa, o que pode levar o dólar apreciar muito, com previsões que vão de R$ 2,45 a R$ 2,80.

Outros felizardos de 2013 foram os que apostaram no setor de educação. Gestores e analistas afirmam que esse foi o “setor do ano”, afinal, foi o único que recebeu estímulos do governo, ao invés de intervenções.

Realmente, tudo deu certo. Houve uma grande ampliação dos programas de incentivo à educação, como Fies (Fundo de Financiamento Estudantil), ProUni (Programa Universidade para Todos) e Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego). Além disso, movimentações societárias também ajudaram a valorizar o setor. Em abril, as duas maiores companhias de ensino privado do país, a Kroton (KROT3) e a Anhanguera (AEDU3), anunciaram uma grande fusão que criou a maior empresa do mundo no setor, avaliada em quase US$ 6 bilhões. A fusão ajudou a aumentar a liquidez dos papéis das duas companhias e ambas entraram no Ibovespa, principal índice da bolsa paulista. Já a Abril Educação (ABRE11) e Estácio (ESTC3) também se mexeram com aquisições: a primeira comprou a escola de línguas Wise Up por R$ 877 milhões e a segunda assumiu a Uniseb ao pagar R$ 615 milhões. Além disso, o setor ainda teve dois IPOs no ano, da Anima (ANIM3) e da Ser Educacional (SEER3).

Continua depois da publicidade

Outros investidores que estão rindo à toa até hoje são os que apostaram na queda da OGX e operaram vendido nas ações da companhia. Como dito anteriormente, os ativos da petrolífera de Eike Batista, agora em recuperação judicial, caíram mais de 95% neste ano e, muitos investidores que conseguiram prever isso, após tantas promessas não cumpridas do controlador, ficaram ricos.

Para ganhar com a queda das ações, o investidor precisa alugar os papéis e vendê-los pelo mesmo preço. Depois que os ativos sofrerem grande desvalorização, o investidor compra novamente os papéis, a um preço bem menor, e devolve para o locador, realizando seu lucro. Em um exemplo prático, se um investidor alugou R$ 100.000,00 em OGX (22.832 ações) no primeiro dia útil do ano – quando as ações estavam valendo R$ 4,38 – as vendeu pelo mesmo preço e, depois comprou a mesma quantidade na mínima histórica, alcançada no dia 31/10/2013, de R$ 0,13, para devolver ao locatário, gastou apenas R$ 2.968,16 na mesma quantidade de ações, lucrando R$ 97.031,84, em apenas 10 meses. Agora imagine quem fez isso com milhões… Hoje, com certeza, está com a vida feita.

Por fim, outros investidores que ganharam foram os que não se arriscaram sozinhos no mercado de ações e optaram por escolher bons fundos de investimento. Quem soube escolher ganhou muito dinheiro, afinal, apesar do péssimo desempenho do mercado acionário, alguns fundos tiveram uma performance muito boa.

Continua depois da publicidade

O melhor fundo de ações do ano foi o Bradesco FIA BDR Nível I, com aplicação mínima de R$ 20.000, que subiu 40,16% em 2013. O segundo lugar também ficou com o Bradesco, com seu fundo FIC de FIA BDR Nível I, com aplicação mínima de R$ 10.000, que valorizou 38,70% no ano.

Em terceiro lugar ficou o fundo Future Fundo de Investimento em Ações, da Neo Gestão de Recursos, com aplicação mínima de R$ 1,00, que subiu 32,08%. Já em quarto e quinto, respectivamente, ficaram os fundos BTG Pactual Alpha FI Ações, com aplicação mínima de R$ 50.000, que teve alta de 25,62%, e o Mauá Participações I FI Ações, com aplicação mínima de R$ 1.000, que valorizou 16,44%.

Tudo isso foi contra uma queda de 17,40% do benchmark, no mesmo período, o que representa uma diferença de 57,56 p.p. do fundo campeão para o benchmark. Nada mal, não é?

Continua depois da publicidade

O segredo
A partir disso, tente aproveitar as melhores oportunidades no ano que vem para driblar a grande volatilidade, já precificada pelo mercado, e sair com um bom lucro. O primeiro passo para encontrar essas brechas está em apenas uma expressão chave: educação financeira. E é exatamente o que o investidor deve buscar antes de começar a se aventurar no mundo dos investimentos.

Segundo Reinaldo Domingos, educador financeiro do Instituto Dsop, é importante que, desde cedo, se busque o conhecimento sobre esse tema. “As pessoas precisam, antes de começar a investir, aprender a ficar sem dívidas, principalmente quando ainda são jovens, porque é neste momento de mudanças e descobertas que esse problema pode se agravar”, afirmou.

Segundo ele, ninguém deveria investir sem antes ter uma boa educação financeira, pois o primeiro passo para se obter sucesso é estabelecer uma relação saudável com as finanças, “afinal, vivemos em uma sociedade capitalista, na qual o dinheiro é um meio para a realização pessoal”, finalizou.