Vai escolher um fundo de ações? Especialistas dão dicas de como fazem uma boa seleção

Tipo de fundo, estratégia de gestão, custos e solidez do gestor são pontos de atenção na hora da escolha

Angelo Pavini

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Muitos investidores perderam o bonde da forte alta do Índice Bovespa, que vem batendo recordes atrás de recordes há meses, e estão pensando em colocar algum dinheiro em fundos de ações. Mas, antes, é bom verificar alguns pontos para escolher um fundo que se ajuste ao seu perfil.

Há fundos passivos, ou indexados, que simplesmente reproduzem os índices de ações da Bovespa, e que podem receber recursos via aplicação. Ou, no caso dos ETFs, ter suas cotas adquiridas em bolsa. Por terem gestão passiva, os ETFs e os indexados costumam ter taxas de administração mais baixas.

E há fundos de gestão ativa, que se propõem a superar os índices de referência ou explorar estratégias específicas, como de valor, com apostas em empresas subavaliadas e com potencial de crescimento, fundos de ações no exterior e até fundos alavancados, que se financiam para aumentar os ganhos e correm mais riscos.

E há diversas carências de resgate, uma forma de impedir que a saída abrupta dos investidores prejudique a estratégia do fundo em momentos de turbulência. Mas o principal é estar preparado para sustos e fases de poucos ganhos.    

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Clara Sodré, analista de fundos da XP Investimentos, reforça o conselho de parcimônia e seletividade para o investidor que vai escolher um fundo de ações. “Ao investir em um fundo, o investidor está transferindo a responsabilidade para uma gestora, que precisa ter um time contínuo, uma estrutura sólida e bom acesso a pesquisas”, diz.

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Ela lembra que o setor de gestão em mercados de risco, como fundos de ações e multimercados, passou por um período muito desafiador nos últimos anos, com fortes resgates e falta de interesse dos investidores diante da alta dos juros e dos ganhos baixos com ações.

Esse ambiente levou a um movimento forte de consolidação, com fechamento ou fusão de gestoras, redução de equipes e surgimento de novas assets. “Os bastidores da gestão de recursos passaram por mudanças significativas e o investidor precisa ter esse olhar, notar que a casa onde vai investir tem resiliência, é consolidada, e que mostra continuidade do time de gestão, isso é muito importante”, diz.

Clara admite que é difícil o investidor individual ter acesso a essas informações no nível de capilaridade necessário, por isso recomenda contar sempre com ajuda de especialistas. “Verifique quais casas continuam tendo performance resistente mesmo com tudo que aconteceu, que continuaram com o time de gestão consolidado e, principalmente, ver o que os analistas estão enxergando”, diz ela, reforçando a máxima de que performance do passado não é garantia de ganhos no futuro.

Uma forma de obter essa seleção é investir em fundos de fundos de alocação, que fazem a seleção para o investidor, afirma Clara. “Temos um time de diligência forte que olha todos esses dados, que geralmente não são públicos, e a partir daí monta os Top Funds, que vão fazer a curadoria e selecionar as gestoras”, diz.

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Ela acredita que os fundos de ações, que hoje representam cerca de 6% do total do setor, devem voltar a atrair recursos de investidores locais. “O número mágico para termos um fluxo sustentado para fundos de ações é de uma Selic em torno de 9% no longo prazo, o que não é nosso cenário ainda. Mas o investidor já está vendo o IPCA arrefecendo e o Banco Central começa a ter um cenário de juros mais sustentável e isso é um gatilho não só para o varejo como para os investidores institucionais, que não estão olhando a bolsa brasileira ainda e podem fazer com que o movimento de alta continue”, diz.

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Como escolher?

Sobre como escolher um fundo de ações, Fábio Murad, economista e CEO da Super-ETF Educação diz que decisão deve ser guiada por critérios objetivos, não por marketing ou rentabilidade recente.

Entre os pontos a considerar ele cita a composição da carteira e em quais setores e empresas o fundo investe, se o fundo está concentrado ou diversificado e a que tipos de risco ele expõe o investidor.

É preciso observar ainda a filosofia e a estratégia de investimento, se é um fundo é passivo, que segue um índice, ou ativo, que tenta superar o mercado e se utiliza estratégias defensivas, setoriais ou quantitativas, de algoritmos.

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O histórico de desempenho também deve ser observado, comparando a rentabilidade com a do índice de referência, especialmente em períodos longos. “Veja se o fundo superou o índice de forma consistente ou apenas em momentos pontuais”, diz.

É importante ainda observar a taxa de administração e a taxa de performance, que devem ser compatíveis com o que o fundo entrega. “Um fundo caro com baixa performance é uma armadilha comum”, diz. É essencial também ter transparência e governança, com clareza nas informações, relatórios periódicos e a facilidade de acompanhamento. “No final, o melhor fundo é aquele que se alinha à estratégia, objetivos e perfil de risco do investidor, e não necessariamente o que mais rendeu nos últimos meses”.