Captação líquida dos fundos de investimentos recua 28,4% em 2025, para R$ 88,4 bi

Multimercados e fundos de ações puxaram os resgates, enquanto a renda fixa registrou captação líquida de R$ 84,3 bilhões

Leonardo Guimarães

(Freepik)
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A captação dos fundos de investimento caiu 28,48% em 2025 na comparação com o ano anterior, totalizando R$ 88,4 bilhões. A renda fixa foi, novamente, o motor da indústria, com captação líquida de R$ 84,3 bilhões. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (8) pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais). 

Em média, os fundos de renda fixa entregaram rendimento de 12,3%, abaixo dos 14,3% acumulados do CDI. Entre os destaques positivos da classe estão os fundos de infraestrutura, que fecharam 2025 com captação líquida de R$ 110 bilhões e crescimento de 30% no número de contas.

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Por outro lado, os resgates foram puxados pelos fundos com menos de 30% de crédito privado no portfólio, o que pode ser explicado pelo retorno menor dessas estratégias. 

Multimercados e ações sofrem resgates

Os multimercado foram a classe com o pior resultado em 2025, com resgate líquido de R$ 58,9 bilhões, resultado melhor do que em 2024, quando o resgate líquido foi de R$ 349,1 bilhões. Em 2026, a tendência é de recuperação para esses fundos, “à medida que os rendimentos forem interessantes, os investidores vão voltar a procurá-los”, segundo Pedro Rudge, diretor da Anbima. 

Em média, os multimercados renderam 14,7%, acima do CDI. O patrimônio líquido dos fundos da classe subiu de R$ 1,5 trilhão no fim de 2024 para R$ 1,6 trilhão em dezembro do ano passado. 

Nos fundos de ações, os resgates líquidos somaram R$ 54,5 bilhões, com rentabilidade média de 31,6%, abaixo dos 34% do Ibovespa em 2025. Para Rudge, o rendimento alto é um lembrete sobre a importância da diversificação: “por mais que ainda tenhamos algumas incertezas, como eleições e discussões sobre juros, o investidor deveria ter uma carteira com alocações em diversas classes de fundos”, defende. 

FIDCs e FIPs em alta

Depois da renda fixa, os FIPs (Fundos de Investimento em Participações) tiveram o melhor resultado em captação, com saldo positivo de R$ 60,1 bilhões. Os FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) vieram logo depois, com captação de R$ 57,6 bilhões, mesmo após resgate de R$ 39,7 bilhões em um único fundo. 

Para Julya Wellisch, diretora da Anbima, os resultados “reforçam o papel desses produtos como financiadores importantes da nossa economia real e mostram que há uma fatia crescente do bolso dos investidores direcionada para essas estratégias”.