Três lições para o investidor de FIIs antes da aguardada queda de juros

Diversificação, paciência e preservação superaram qualquer tentativa de prever movimentos futuros

Vinicius Alves

Ativos mencionados na matéria

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Mesmo com a Selic saltando de 12,25% para 15% — o maior patamar em quase duas décadas — o IFIX avançou mais de 21% em 2025. O movimento contrariou a leitura tradicional de que juros elevados seriam, por definição, um freio para os FIIs.

Para Arthur Moraes, professor e especialista em investimentos, o episódio deixa lições claras sobre comportamento, estratégia e, sobretudo, expectativas do investidor. “Se tivesse algo que sempre acontece, eu estava na lista da Forbes já”, ironiza Moraes.

A frase resume uma constatação incômoda para quem busca atalhos no mercado: não existem regras fixas capazes de antecipar com consistência o comportamento dos ativos. “O que sempre acontece é a gente achar que sabe o caminho — e o caminho mudar o tempo todo”, diz.

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A experiência de 2025, segundo ele, reforça a necessidade de planejamento e paciência em um ambiente estruturalmente incerto. Em vez de realocações constantes, Moraes defende carteiras bem diversificadas e ajustes pontuais. “Movimento tático faz parte. O erro é achar que dá para ficar pulando de galho em galho toda vez que muda a expectativa para juros”, resume.

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Veja algumas licões que Moraes possou no Liga de FIIs, programa semanal do InfoMoney, desta semana:

Lição 1: regras de bolso não funcionam

Para o gestor, a maior armadilha do investidor é acreditar em fórmulas simples para decisões complexas. A tentativa de prever Selic, inflação ou ciclos de mercado costuma consumir energia — e dinheiro — sem entregar retorno proporcional. “Você gasta um esforço enorme tentando adivinhar o futuro. Na maioria das vezes, isso não se traduz em ganho real”, diz.

Lição 2: deixar o dinheiro trabalhar

Outra distorção comum está no excesso de acompanhamento. “Quem está trabalhando para quem? Você investe o dinheiro para ele gerar renda passiva e acaba passando o dia inteiro consumindo notícia, assistindo a 20 lives, tentando acertar o próximo movimento”, provoca.

Na visão de Moraes, investimento de longo prazo exige menos interferência e mais disciplina. “Se você planejou a carteira para o longo prazo, deixa acontecer. Não precisa ficar trocando tudo por causa de cada manchete”, afirma.

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Lição 3: preservar vem antes de rentabilizar

A lição mais recorrente — e mais ignorada — aparece quando o assunto é risco. Moraes recorre a Warren Buffett para reforçar o ponto. “Todo mundo gosta de usar camiseta com a foto do Buffett, mas esquece a regra número um dele: nunca perca dinheiro”.

Segundo o gestor, o erro recorrente do investidor é priorizar retorno antes de segurança. “As pessoas perguntam primeiro onde vão ganhar mais, não onde vão preservar melhor o patrimônio. E onde se promete ganhar mais, normalmente o risco de perder também é maior”, diz.

Ele vai além e relativiza a obsessão por rentabilidade. “O que muda a vida das pessoas não é quanto o investimento rende, é quanto elas conseguem guardar”, afirma. O exemplo citado é o FGTS. “É o pior investimento do Brasil em termos de rentabilidade. Mesmo assim, mudou a vida de milhões de pessoas, porque obrigou a poupar.”

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A matemática, segundo Moraes, é simples. “Não adianta investir no ativo que mais rendeu se você guardou pouco. Guardar é mais difícil do que ganhar. Mas é isso que constrói patrimônio.”

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Confira a entrevista completa na edição desta semana do Liga de FIIs. O programa vai ao ar todas as quartas-feiras, às 18h, no canal do InfoMoney no Youtube. Você também pode rever todas as edições passadas.