Títulos prefixados compensam? Histórico é de vitória apertada sobre o CDI

Estudo da XP com títulos públicos prefixados emitidos desde 2006 mostra que, em mais da metade das janelas, eles bateram a referência da renda fixa, mas por bem pouco

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Com a Selic em um ciclo de cortes, reduzida para 13,75% ao ano em setembro, o argumento a favor dos títulos prefixados ganhou força: quem trava a taxa agora garante a remuneração mesmo que os juros caiam depois. Um levantamento da XP Investimentos confirma que a estratégia costuma funcionar. Os mesmos números, porém, mostram que a vantagem sobre o CDI, na maior parte das vezes, é pequena.

A equipe de research da XP analisou o desempenho de LTNs (títulos do Tesouro Prefixado) carregadas até o vencimento entre 2006 e 2025 e comparou o retorno de cada janela com o CDI do mesmo período. Em 68,8% das observações, o prefixado rendeu igual ou acima do CDI. O detalhe está em como essas vitórias se distribuem.

Segundo o estudo, 52,6% das janelas terminaram com o prefixado rendendo entre 100% e 105% do CDI. Se somadas as janelas em que o prefixado ficou ligeiramente abaixo do CDI, entre 95% e 100% (24,2% das observações), o resultado é que em cerca de 77% dos casos o título pré terminou a menos de 5% de distância do CDI, para cima ou para baixo.

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Ou seja, ainda que os prefixados ganhem do CDI na maioria das vezes, o retorno não costuma ser muito maior do que a referência da renda fixa. Os prefixados são considerados os títulos mais arriscados da renda fixa e geralmente são recomendados em pequenas doses por especialistas e casas de investimento. Logo, o dado que o relatório traz é importante para medir a relação entre risco e retorno desses papéis. 

Vitórias largas foram minoria na história dos prefixados. Eles renderam entre 105% e 115% do CDI em 10,5% das janelas e acima de 115% em apenas 5,7%. Somados, os ganhos expressivos aparecem em 16,2% das observações.

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Mas a XP chama atenção para um ponto que pesa a favor da estratégia: quando perdeu, o prefixado também perdeu por pouco. Resultados abaixo de 95% do CDI somaram 7% das janelas, e abaixo de 85% foram raros (0,8%).

O relatório descreve essa relação como uma assimetria favorável. As derrotas tendem a ficar perto do CDI, enquanto as vitórias, quando grandes, são mais expressivas do que as perdas.

Quando o prefixado ganhou de verdade?

O histórico mostra que os maiores ganhos se concentraram em momentos específicos. Segundo a XP, os maiores excessos de retorno sobre o CDI ocorreram quando os juros partiram de níveis mais elevados, o que abriu espaço para cortes grandes nos anos seguintes.

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O caso mais evidente são as LTNs emitidas por volta de 2016, quando a Selic estava em 14,25%. Esses títulos terminaram rendendo cerca de 120% do CDI até o vencimento. Em outros períodos, como os títulos emitidos às vésperas dos ciclos de alta, o prefixado ficou abaixo do referencial.

A conclusão da própria XP é que o momento de entrada faz diferença. “O benefício dos prefixados tende a ser maior quando o investidor consegue travar taxas elevadas antes que o ciclo de flexibilização esteja totalmente refletido nos preços”, diz o relatório.

O que fazer agora?

O ponto de partida atual se parece com os episódios favoráveis do passado, mas não é idêntico. A Selic já recuou de 15%, patamar do fim de 2025, para 13,75%, em um ciclo iniciado em janeiro. A XP projeta a taxa em 13,25% no fim de 2026 e em 11,50% em meados de 2027, ainda acima do nível considerado neutro.

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Para a casa, a oportunidade atual está nos vencimentos intermediários, que oferecem retorno atrativo com menor exposição às incertezas fiscais e inflacionárias de longo prazo. No entanto, há três ressalvas importantes para quem pretende usar o histórico como guia.

A primeira é que o estudo considera títulos levados até o vencimento. Quem vende antes fica sujeito à marcação a mercado – e é aí que mora o maior perigo, alertam especialistas. Em exercício hipotético, a XP calcula que um prefixado de cinco anos com taxa de 13,8% ao ano poderia ganhar cerca de 9% ou perder mais de 8% com um deslocamento de 2 pontos percentuais na curva de juros.

A segunda é que o levantamento inclui apenas LTNs que já venceram, títulos emitidos nos últimos anos ainda não entram na conta. A terceira ressalva é clássica: desempenho passado não garante resultado futuro. 

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Leonardo Guimarães
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