Tesouro IPCA+: quanto tempo é preciso para juntar R$ 100 mil começando do zero?

Simulação mostra tempo parecido em todos os títulos do Tesouro IPCA+, mesmo com taxas diferentes

Leonardo Guimarães

Notas de reais (Foto: Marcello Casall/Agência Brasil)
Notas de reais (Foto: Marcello Casall/Agência Brasil)

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Para quem busca construir patrimônio com a segurança da renda fixa, os títulos atrelados à inflação se destacam pelo juro real de 7% a mais de 8% que vêm oferecendo aos investidores. Mas qual o impacto da variação das taxas na construção de uma reserva robusta?

João Debom, sócio da Alude Capital, calculou o tempo necessário para acumular R$ 100 mil partindo do zero, com aportes mensais de R$ 500. A simulação testou as projeções em quatro títulos do Tesouro IPCA+. O resultado foi curioso: o tempo de acumulação é parecido em todos eles, variando entre 10 e pouco mais de 11 anos.

A simulação não considera o desconto do Imposto de Renda nem a taxa de custódia da B3 (0,20% a.a.), fatores que reduziriam ligeiramente a rentabilidade líquida e aumentariam um pouco o prazo real.

Confira os dados da projeção:

TítuloTaxaTempo p/ acumular R$ 100 milVencimentoChega antes do vencimento?Total investido
Tesouro IPCA+ 2029IPCA + 8,27%~10,6 anos (128 meses)mai/2029 (2,8 anos)NãoR$ 64 mil
Tesouro IPCA+ 2032IPCA + 8,45%~10,6 anos (127 meses)ago/2032 (6,1 anos)NãoR$ 63,5 mil
Tesouro IPCA+ 2040IPCA + 7,48%~11,0 anos (132 meses)ago/2040 (14,1 anos)SimR$ 66 mil
Tesouro IPCA+ 2050IPCA + 7,15%~11,1 anos (133 meses)ago/2050 (24,1 anos)SimR$ 66,5 mil
Fonte: João Debom, sócio da Alude Capital

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“Empate” entre prazos

A proximidade do tempo de acumulação tem uma explicação matemática. Debom esclarece que os papéis mais curtos (2029 e 2032) estão pagando uma taxa real um pouco maior, porém têm menos prazo de maturação. Em contrapartida, os títulos mais longos (2040 e 2050) pagam um prêmio menor, mas se beneficiam de uma janela de tempo muito maior pela frente. No fim das contas, esses dois efeitos se cancelam.

Há, porém, uma ressalva para quem foca na ponta curta da curva de juros. Nos títulos de 2029 e 2032, o prazo necessário de aproximadamente 10,6 anos para juntar os R$ 100 mil ultrapassa a data de vencimento do papel.

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“Na prática, seria impossível chegar lá com esse título em específico”, explica o sócio da Alude Capital. O investidor teria o capital devolvido na conta antes de bater a meta e precisaria observar as novas condições de mercado para realizar uma rolagem, fazendo uma nova aplicação. Nesses dois casos, trata-se apenas de uma simulação matemática, não de um plano de investimentos perfeitamente contínuo.

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Outro ponto importante é que o cálculo considera as taxas estáveis, o que, na prática, não acontece. 

Tesouro IPCA+ exige paciência

Apesar do forte potencial de acúmulo, o Tesouro IPCA+ exige disciplina rígida e um perfil alinhado à estratégia. Ricardo Gallo, sócio da Ethica Serviços Financeiros, alerta que papéis atrelados à inflação expõem o investidor a um risco alto de volatilidade devido à marcação a mercado. Por se tratarem de títulos com alta duração qualquer solavanco na curva de juros gera uma perda substancial na tela da corretora.

Gallo é taxativo ao afirmar que esses papéis não podem ser encarados como substitutos para a liquidez diária ou caixa de curto prazo. “É um papel para perfil previdenciário, seja nos produtos de previdência ou seja através de investimento direto”, pontua. 

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Ele conclui reforçando que o investimento faz sentido para quem deseja travar rendimentos robustos frente à inflação, desde que a pessoa tenha clareza de que essa é uma poupança estrutural de longo prazo.