Tesouro IPCA+ flerta com a maior taxa do ano após pesquisa eleitoral

Ativos brasileiros têm nova sessão de baixa, na contramão do exterior, que avança com dado positivo da inflação americana

Paulo Barros Agências de notícias

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, fala durante a 14ª Conferência Nacional de Assistência Social em Brasília, Brasil, em 8 de dezembro de 2025. REUTERS/Adriano Machado TPX IMAGENS DO DIA
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, fala durante a 14ª Conferência Nacional de Assistência Social em Brasília, Brasil, em 8 de dezembro de 2025. REUTERS/Adriano Machado TPX IMAGENS DO DIA

Publicidade

Os títulos públicos brasileiros se descolam dos americanos e operam com taxas em alta nesta quinta-feira (18), em nova onda de aversão ao risco nos ativos locais com a antecipação do noticiário sobre as eleições de 2026, e com a disputa mais solidificada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro.

As remunerações voltam a subir por toda a curva, com o Tesouro Prefixado 2028 pagando 13,34% e o de 2032 remunerando o investidor com 13,93% ao ano. Alta forte também entre os títulos de inflação, o com Tesouro IPCA 2029 atingindo 8,05% de juro real, se aproximando das máximas do ano, de 8,08%, atingida em meados de outubro. Os vértices longos também pagam mais, passando dos 7%.

Evolução da taxa do Tesouro IPCA+ 2029, em 18 de dezembro de 2025 (Foto: Reprodução/Tesouro Direto)

Nem a divulgação do dado de inflação ao consumidor nos EUA (CPI) abaixo do esperado e que ajudou a impulsionar ativos americanos – a TIP, que é a equivalente dos EUA à NTN-B, é negociada com leve queda – ajudou a curva de juros brasileira, que segue pressionada pelo noticiário local.

As taxas reagem a uma nova pesquisa eleitoral reforçando possível vitória do presidente Lula em todos os cenários de primeiro e segundo turno para 2026. A percepção de uma ala do mercado é de maior incerteza fiscal e manutenção do modelo de aumento de receitas via impostos, o que já pressionou o real ontem, além da valorização global da moeda americana.

O dia também teve a divulgação do Relatório de Política Monetária (RPM) do Banco Central, que reforçou a visão de que não deverá haver corte de juros em janeiro. “O RPM divulgado hoje tem impacto bastante limitado sobre o mercado, uma vez que o risco dominante segue sendo o risco político”, resume Ian Lima, gestor de renda fixa da Inter Asset.

Segundo o Itaú BBA, isso já estava na mesa desde o último Copom, e levou os investidores a ajustar as expectativas para o início do ciclo de cortes da Selic, diminuindo o apetite por risco no curto prazo, e abrindo espaço para realização dos lucros acumulados nos últimos meses.

Continua depois da publicidade

Veja as taxas do Tesouro Direto às 12h09 desta quinta-feira (18):

TítuloRendimento AnualVencimento
Tesouro Selic 2028SELIC + 0,0467%01/03/2028
Tesouro Selic 2031SELIC + 0,102%01/03/2031
Tesouro Prefixado 202813,34%01/01/2028
Tesouro Prefixado 203213,93%01/01/2032
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 203513,92%01/01/2035
Tesouro IPCA+ 2029IPCA + 8,05%15/05/2029
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2035IPCA + 7,54%15/05/2035
Tesouro IPCA+ 2040IPCA + 7,18%15/08/2040
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045IPCA + 7,28%15/05/2045
Tesouro IPCA+ 2050IPCA + 7,11%15/08/2050
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060IPCA + 7,23%15/08/2060

(com Reuters)

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)