Renda fixa

Tesouro Direto: taxas de títulos públicos caem à tarde; negociação de prefixado para 2031 é suspensa por pagamento de juros

Entre os títulos de inflação, os que vencem em 2035, 2045 e 2055 mantêm as mesmas taxas da tarde de ontem – respectivamente, de 5,15%, 5,15% e 5,34% ao ano

Por  Mariana Segala -

As taxas dos títulos públicos negociados no Tesouro Direto têm queda nesta terça-feira (28), com os investidores atentos às últimas divulgações de indicadores econômicos deste ano.

Logo cedo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a taxa de desocupação do trimestre entre agosto e outubro de 2021 ficou em 12,1%, uma queda de 1,6 ponto percentual (p.p.) em relação ao trimestre de maio a julho, quando estava em 13,7%, e de 2,5 p.p. frente ao mesmo trimestre móvel de 2020 (14,6%). Foi um resultado melhor que as estimativas de consenso do mercado, que esperava uma taxa de 12,3%.

Já o Banco Central divulga hoje as estatísticas de crédito relativas a novembro, mês em que o estoque total de empréstimos alcançou R$ 4,575 trilhões, o equivalente a 53,2% do Produto Interno Bruto (PIB). O número indica uma elevação de 1,8% no mês. A inadimplência no segmento de recursos livres ficou em 3,1%, ante 3% em outubro, enquanto o spread (diferença entre o custo de captação pelos bancos e os juros cobrados nas operações de crédito) no mesmo segmento subiu para 23,4 pontos percentuais (eram 22,9 pontos em outubro).

Houve redução nos juros oferecidos pelos papéis do governo federal desde a manhã. Os prefixados com vencimento em 2024 pagam, nesta tarde, 10,78% ao ano, enquanto os que vencem em 2026 têm taxa de 10,51%. Na abertura dos negócios, os juros desses papéis eram de 10,82% e 10,54% ao ano, respectivamente.

Entre os títulos de inflação, os que vencem em 2035 e 2045 apresentam redução nas taxas, para 5,13% ao ano (eram de 5,15% pela manhã), enquanto o Tesouro IPCA+ 2026 apresenta ligeira alta, para 4,96% ao ano (contra 4,95% nesta manhã). Os papéis com vencimento em 2055 mantêm hoje as mesmas taxas da tarde de ontem, de 5,34% ao ano.

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Um detalhe: as negociações com os títulos prefixados que vencem em 2031 (Tesouro Prefixado com juros semestrais 2031) estão suspensas a partir de hoje e pelos próximos dias, em função do pagamento de juros agendado para o dia 1º de janeiro de 2022 (por conta do feriado, ele ocorrerá de fato no dia 3).

Por regra do Tesouro Direto, o investimento em títulos que têm cupom de juros é suspenso quatro dias úteis antes da data do pagamento. Da mesma forma, há também mudanças nos resgates, que são interrompidos dois dias úteis antes do pagamento do cupom.

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto que eram oferecidos na tarde desta terça-feira (28):

Taxas do Tesouro Direto na tarde de 28.12.21
Taxas do Tesouro Direto na tarde de 28.12.21 (Fonte: Tesouro Direto)

Indicadores locais

No Brasil, os investidores acompanham a divulgação de indicadores econômicos e notícias sobre o Orçamento de 2022, que implicam em consequências fiscais.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a taxa de desocupação do trimestre entre agosto e outubro de 2021 ficou em 12,1%, uma queda de 1,6 ponto percentual (p.p.) em relação ao trimestre de maio a julho, quando estava em 13,7%, e de 2,5 p.p. frente ao mesmo trimestre móvel de 2020 (14,6%). Foi um resultado melhor que as estimativas de consenso do mercado, que esperava uma taxa de 12,3%.

“Essa queda na taxa de desocupação está relacionada ao crescimento da ocupação, como já vinha acontecendo nos meses anteriores”, afirmou, em comunicado, a coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, Adriana Beringuy. Segundo ela, o aumento no número de ocupados ocorreu em seis dos dez grupamentos de atividades, como comércio, indústria e serviços de alojamento e alimentação. O nível de ocupação – percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar – subiu para 54,6%, o maior desde o trimestre encerrado em abril de 2020.

Conforme o IBGE, o crescimento da ocupação foi influenciado pelo trabalho informal, levando o rendimento real habitual a cair 4,6% e chegando a R$ 2.449. Já a massa de rendimento foi de R$ 225 bilhões e permaneceu estável.

Para a XP, a recuperação do mercado de trabalho continua no caminho certo, mas, do lado negativo, o salário real médio diminui pelo quinto mês consecutivo. “Inflação elevada, ampla capacidade ociosa no mercado de trabalho e mudanças significativas na composição da população ocupada total (proporção crescente de empregos informais, que recebem rendimentos médios mais baixos) são as razões para os baixos níveis de rendimento médio real”, escreveu a equipe XP Macro.

Do lado do Orçamento, o que chama atenção neste momento é a expectativa para uma assembleia conjunta de servidores federais, que deve ocorrer nesta quarta-feira (29), para deliberar sobre a mobilização por reajuste.

A crise teve origem na semana passada, quando o Congresso Nacional aprovou o Orçamento de 2022 com reserva de R$ 1,7 bilhão para reajuste a forças federais de segurança e cerca de R$ 800 milhões para agentes comunitários de saúde e agentes de combate a endemias, deixando de fora outros quadros do funcionalismo, como os auditores fiscais. Estes já aprovaram a paralisação de todos os projetos nacionais do Plano Operacional do órgão, a adoção de operação padrão e entrega ostensiva de todos os cargos em comissão e funções de chefia.

Na segunda-feira, o Sindifisco (Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita) afirmou que chegou a 738 o número de auditores da Receita Federal que entregaram cargos de chefia em protesto contra o governo, cerca de 93% dos delegados em todo o País.

Diante das movimentações, em entrevista em frente ao Palácio do Planalto na sexta-feira (24), o presidente Jair Bolsonaro afirmou que é possível que o Orçamento para o reajuste não vá necessariamente apenas para os policiais.

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