Renda fixa

Tesouro Direto: títulos públicos operam sem direção única na tarde desta quarta-feira

Mercado analisa revisões para taxa Selic e mudanças tributárias no Brasil, e dados de atividade no exterior

Brazilian currency
(Pollyana Ventura/Getty Images)

SÃO PAULO – Depois de apresentarem queda na primeira atualização da manhã, as taxas oferecidas pelos títulos públicos negociados na plataforma do Tesouro Direto operavam sem direção única na tarde desta quarta-feira (23).

Enquanto isso, o Ibovespa, que é o principal índice da Bolsa brasileira, registrava leve queda de 0,38%, cotado um pouco acima dos 128 mil pontos, por volta das 15h30. O índice perdeu força com o recuo das ações de bancos, que devem ser penalizadas com a Medida Provisória (MP) aprovada ontem pelo Senado, que aumentou a tributação sobre o lucro dessas instituições.

O dólar comercial, por sua vez, apresentava leve alta de 0,06%, cotado a R$ 4,97. Nas negociações de hoje, investidores continuaram atentos às repercussões da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), com as revisões que várias instituições financeiras fizeram para a Selic. Agora, economistas esperam que a taxa básica de juros chegue a 7% até o fim do ciclo de alta.

Na atualização da tarde, os prêmios pagos pelos títulos prefixados no Tesouro Direto registravam queda em relação aos preços de terça-feira. O Tesouro Prefixado com vencimento em 2026 pagava uma taxa de 8,59%, contra um juro de 8,65% na sessão anterior. Da mesma maneira, o Tesouro prefixado com vencimento em 2031 com juros semestrais oferecia uma rentabilidade de 9,22%, abaixo dos 9,29% de fechamento de terça-feira.

Entre os papéis atrelados à inflação, os prêmios tinham pouca oscilação. O juro real pago no Tesouro IPCA com vencimento em 2035 e em 2045 era de 4,22%, nesta tarde contra 4,21% na sessão anterior. O Tesouro IPCA 2055 com juros semestrais, por sua vez, oferecia a inflação mais uma taxa de 4,37%. Na última atualização de ontem (22), o mesmo título pagava uma rentabilidade real de 4,38%.

Confira os preços e as taxas atualizadas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto nesta quarta-feira (23):

Tesouro Direto
Fonte: Tesouro Direto

Agenda de quarta-feira

No cenário político, um dos destaques do dia diz respeito à novidades sobre o auxílio emergencial. Segundo informações do jornal O Estado de S.Paulo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que o presidente Jair Bolsonaro deve anunciar ainda, nesta semana, a renovação do programa por mais três meses, ou seja, até outubro.

Além de comentar sobre a continuação do programa, o ministro falou sobre o câmbio. Segundo ele, o câmbio de equilíbrio ainda é muito abaixo do patamar atual. Guedes afirmou que o dólar ontem furou a barreira dos R$ 5 e que deve cair mais. Ele também ressaltou que os juros curtos estão subindo, mas que o mais longo está mais controlado porque o governo manteve a responsabilidade fiscal e tem reduzido gastos.

Outro destaque do dia e que teve forte impacto nas ações de bancos foi a aprovação na noite de terça-feira pelo Senado da MP 1034, que aumentou a tributação sobre bancos e a indústria química, para permitir o subsídio temporário ao diesel e ao gás de cozinha. O texto agora volta para a Câmara.

Segundo a proposta, a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) do setor financeiro aumentaria de 20% para 25%, entre 1º de julho e 31 de dezembro de 2021.

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Mesmo com a alta na tributação, uma matéria do jornal O Estado de S. Paulo aponta um descasamento entre o que seria arrecadado a mais e o que o governo teria aberto mão. De acordo com cálculos da Instituição Fiscal Independente do Senado, para zerar o PIS/Cofins sobre diesel e gás de cozinha, o governo deixaria de arrecadar R$ 3,7 bilhões. Já a alta da tributação sobre os bancos aumentaria a arrecadação em R$ 3,2 bilhões.

Outra notícia quente do noticiário político está ligada à possibilidade de um novo arredondamento para a faixa de isenção do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF). Segundo apurou o jornal Valor Econômico, o Planalto pediu ao Ministério da Economia ver se é possível arredondar a nova faixa de isenção do imposto para R$ 2,5 mil, no caso de pessoa física. Hoje, a primeira faixa após o limite de isenção é entre R$ 1,9 mil e R$ 2,8 mil e tem uma alíquota de 7,5%.

Já com relação aos rumos da inflação, uma matéria publicada ontem (22) pela agência de notícias Bloomberg revela que o governo estaria inclinado a definir uma meta mais ambiciosa de inflação para 2024, segundo fontes.

De acordo com a publicação, não houve uma decisão sobre o tema e há ainda quem defenda a manutenção da meta em 3,25%. Porém, cresceu a visão de que é necessário trazer a inflação para um patamar mais próximo de outros mercados emergentes. A decisão final deve ocorrer mesmo, nesta quinta-feira (23), durante reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN).

Olho no exterior

Já no cenário internacional, os índices americanos apresentavam leve alta na tarde desta quarta-feira, ainda com a repercussão da declaração feita ontem (22) pelo presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, à Câmara dos Representantes.

Powell devolveu maior otimismo aos mercados ao dizer que as pressões inflacionárias nos Estados Unidos são temporárias, o que poderia ajudar a impulsionar o fluxo de capital para ativos de renda variável.

Mas a fala do presidente do Fed foi contrabalanceada pela divulgação do Índice Gerente de Compras (PMI, na sigla em inglês) composto dos Estados Unidos, que caiu de 68,7 pontos, em maio, a 63,9 pontos, em junho. Essa foi a leitura mais baixa em dois meses. O PMI de serviços também caiu de 70,4 para 64,8 pontos. Já o PMI da indústria subiu de 62,1 para 62,6 pontos no mesmo período.

Já na zona do euro, o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) composto, que engloba os setores industrial e de serviços, subiu de 57,1, em maio, para 59,2, em junho, atingindo o maior nível desde junho de 2006, segundo dados preliminares divulgados pela IHS Markit.

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O avanço acima da marca de 50 indica que a atividade do bloco se expande em ritmo mais forte neste mês. A prévia de junho também superou a expectativa de analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que previam alta do PMI composto a 58,8.

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